China veta acesso a mais três Províncias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de março de 2008
Raul Juste Lores<br>Folhapress 
Pequim, China- Depois de proibir a entrada de jornalistas e turistas no Tibete, a China fechou o acesso às outras três Províncias com população tibetana onde aconteceram manifestações contra o governo de Pequim.
Tibetanos em Gansu, Qinghai e Sichuan protestaram no fim de semana contra a repressão no Tibete, mas foram igualmente reprimidos.
O governo chinês diz que 13 civis morreram na sexta passada durante o confronto entre a polícia chinesa e monges e jovens que se manifestavam pela autonomia do Tibete, ocupado pela China em 1951, depois de período de independência iniciado em 1912. E culpa os manifestantes pelas mortes.
Mas o governo tibetano no exílio, em Dharamsala, diz que houve mais de cem mortes provocadas pela repressão chinesa, além de centenas de prisões de dissidentes.
O site de vídeos YouTube, onde foram colocadas imagens do protesto, foi bloqueado na China. Reportagens sobre os conflitos em jornais estrangeiros também são bloqueadas.
O governo chinês diz que a situação em Lhasa, capital do Tibete, já se estabilizou e que a calma voltou à cidade. Mas pessoas que falaram com amigos em Lhasa, por telefone, contaram à reportagem que ''todos estão com medo e ficam o tempo inteiro em casa, cercados de militares por todos os lados''. As ligações não duram mais que cinco minutos e caem por motivos técnicos. O líder tibetano no exílio, o dalai-lama, acusou a China no domingo de ''genocídio cultural''.
Em sinal de que o governo chinês sentiu que está perdendo a batalha diplomática contra os tibetanos, a Chancelaria chinesa convocou uma rara entrevista coletiva à noite para acusar as comunidades tibetanas no exterior de vandalizar ''uma dúzia de embaixadas chinesas pelo mundo''.
Ao ser questionado se permitiria que uma missão da ONU visitasse o Tibete para ver o que realmente aconteceu, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Jianchao, disse que o Tibete era ''assunto interno'' e que a China ''está determinada a lutar pela soberania nacional e integridade de seu território''.
Ele acusou a ''camarilha do dalai-lama'' de provocar os distúrbios (''são hipócritas ao dizer que defendem a não-violência'') e afirmou que as forças de segurança não usaram armas na repressão, apenas gás lacrimogêneo e água.
O governo divulgou que 61 policiais ficaram feridos nos confrontos, mas não revelou números sobre os civis, nem sobre prisões de tibetanos.


