Pequim - A polícia chinesa tomou conta da Praça da Paz Celestial ontem, levando os sobreviventes do massacre a uma vigília discreta pelas centenas de pessoas que há 15 anos perderam a vida na sagrenta repressão que os ativistas pró-democracia do país sofreram por parte do exército nacional.
O aniversário de 15 anos do episódio é ainda um assunto muito delicado para o Partido Comunista Chinês. Por isso, pouquíssimas celebrações foram realizadas em memória das centenas de pessoas mortas pelas tropas de Pequim.
Carros de polícia cruzavam constantemente a grande área da praça, localizada no centro da capital chinesa. Na majestosa Chang'an Avenue, a principal rota dos tanques e soldados em 1989, policiais armados e à paisana permaneciam de prontidão.
Todos os vestígios de buracos de bala e marcas de tanques no asfalto foram cuidadosamente apagados ao longo destes anos. Um homem de cadeiras de rodas que aparentemente tentou protestar usando uma faixa na cabeça foi logo agarrado e tirado do local, segundo um fotógrafo da France Presse.
Um grupo de homens e mulheres de meia idade foi visto no pátio da delegacia de polícia da Praça da Paz Celestial, para onde, há 15 anos, os detidos nos protestos foram inicialmente levados. A polícia, no entanto, se negou a revelar o motivo de estas pessoas se encontrarem no local.
Para evitar problemas na data de 15 anos do massacre, a Polícia Secreta de Segurança chinesa resolveu impedir o trânsito de qualquer dissidente que pudesse a vir a protestar contra o governo. Na capital chinesa, as velas só foram acesas dentro das casas e, mesmo assim, a lembrança não era encarada pela população como uma atitude segura.
O diretor executivo do Human Rights Watch, Kenneth Roth, disse que ''as autoridades chinesas precisam punir os responsáveis pela insanidade daquele dia. Precisam ainda compensar as vítimas e permitir os exilados a voltar para casa''. Qi Zhiyong, que perdeu uma perna ao tentar fugir de um grupo armado na noite de 4 de junho, disse que lembrará para o resto de sua vida as vítimas do massacre. ''Meu coração segue angustiado'', lamentou o homem à France Presse.

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