China reage após acusações de ciberespionagem
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terça-feira, 20 de maio de 2014
Marcelo Ninio<br>Folhapress 
Pequim - A China rebateu as acusações dos EUA de espionagem cibernética na mesma moeda. O escritório estatal de Informação da Internet divulgou seus dados mais recentes, buscando demonstrar que a China é a maior vítima de ataques a computadores, e que a maioria deles parte justamente dos EUA. A divulgação dos dados ocorreu após o anúncio do governo norte-americano sobre a abertura de uma ação criminal contra cinco militares chineses acusados de espionagem industrial e invasão de computadores. O governo chinês classificou as acusações de "absurdas" e convocou o embaixador dos EUA em Pequim, Max Baucus, para dar explicações. Também decidiu suspender o diálogo com os EUA na comissão bilateral sobre segurança cibernética criada no ano passado.
Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, deixou no ar a ameaça de novas retaliações caso os EUA não retirem o processo contra os militares chineses, sem entrar em detalhes. Imprensa estatal e governo se uniram num contra-ataque massivo às acusações de Washington. Como costuma fazer quando é acusada pelos EUA de crimes cibernéticos, a China assumiu o papel de vítima. Segundo os dados divulgados pelo governo chinês, somente de 19 de março a 18 de maio, hackers dos EUA fizeram 2.077 ataques com vírus do tipo cavalo de Troia, que permitiram a eles controlar 1,18 milhão de computadores na China. Com os ataques, afirma o governo, os hackers se infiltram em redes de computadores de governos, universidades, empresas e sistemas de comunicação. "Essas atividades têm como alvo líderes chineses, cidadãos comuns e qualquer um com um telefone celular. Enquanto isso, os EUA acusam repetidamente a China de espionagem e invasão de computadores", disse o escritório do governo. NSA O argumento de vítima da China se fortaleceu após o escândalo de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), revelada pelo ex-técnico Edward Snowden em 2013.
A imprensa estatal chinesa entrou firme na contraofensiva, com vários artigos que lembravam o caso Snowden como exemplo das práticas de espionagem dos EUA. Qin An, diretor do do Instituto de Estratégia Ciberespacial da China, disse que o indiciamento dos militares chineses é uma tentativa dos EUA de encobrir as críticas que recebeu pelas revelações de Snowden. "Os EUA têm a mais extensa rede de espionagem do mundo. Espionagem cibernética é sua principal ferramenta. Em vez de refletir sobre seus atos, os EUA acusam outros", disse Qin ao jornal "Global Times".
Para a imprensa estatal, o indiciamento dos cinco militares foi mais um ato simbólico, já que poucos acreditam que eles serão julgados. De imediato, porém, os cinco ficam impedidos de viajar aos EUA ou a outro país que tenha acordo de extradição com Washington. É a primeira vez que os EUA indiciam membros do Estado chinês por infiltrar computadores de empresas norte-americanas. Trata-se de uma nova escalada na guerra retórica que os dois países travam em torno do assunto há meses. De acordo com os EUA, os cinco militares chineses fazem parte de uma unidade especial do Exército Popular de Libertação da China, conhecida como 61398, que fica baseada em Xangai. A unidade foi revelada no ano passado por uma firma de segurança cibernética dos EUA. Com recursos do Exército e a serviço de estatais chinesas, a unidade seria responsável por invadir computadores de empresas estrangeiras para roubar segredos comerciais.


