China quer emendar resolução na ONU
Associated Press
Com os Estados Unidos e seus aliados da Otan pressionando pela rápida adoção de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para encerrar o conflito de Kosovo, a China ainda queria ontem à noite emendas visando uma severa limitação de futuras ações militares da Otan.
A resolução, aprovada pelo Grupo dos Oito, recebeu sua forma final na tarde de ontem, abrindo caminho para a votação do Conselho de Segurança, em Nova York. No entanto, ela omite a principal exigência da China e era incerto como a China votaria. Diplomatas ocidentais sugeriram que haveria uma abstenção. Se eles rejeitarem nossas emendas, acho difícil que aceitemos a resolução, disse o vice-embaixador da China na ONU, Shen Guofang.
Esperava-se que a assinatura de um acordo entre chefes militares da Otan e da Iugoslávia minutos antes de uma reunião do Conselho de Segurança desencadeasse uma série de eventos, culminando na adoção de uma resolução autorizando o deslocamento de uma força militar internacional e uma administração civil em Kosovo.
Com o tempo ideal após a assinatura do acordo militar, forças iugoslavas começariam a se retirar imediatamente, a Otan verificaria a retirada e ordenaria o fim dos bombardeios e o Conselho de Segurança aprovaria a resolução - tudo isso em poucas horas.
Diplomatas ocidentais nas Nações Unidas disseram que gostariam que todo esse processo se desenvolvesse na noite desta quarta-feira para que as tropas da Otan pudessem atravessar a fronteira na manhã de hoje, não deixando nenhum vazio de poder que tanto a Otan quanto a Iugoslávia temem que seja preenchido pelo Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
A maior preocupação da China era que a adoção da resolução proposta fosse baseada no Capítulo 7 da Carta da ONU, que torna a resolução militarmente aplicável. Shen disse que Pequim não queria que a resolução desse um sinal verde para que os membros da Otan bombardeassem ainda mais a Iugoslávia - e queria uma ação militar com base no Capítulo 7 limitada a proteger o pessoal estrangeiro enviado a Kosovo.
Pequim também não pode aceitar exigências do rascunho para total cooperação com o tribunal de crimes de guerra da ONU para a Iugoslávia devido ao indiciamento do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, disse. Nós acreditamos que o indiciamento é politicamente motivado e não podemos aceitá-lo, afirmo o embaixador Shen Guofang





