A China não aceitou neste domingo pela manhã (hora local) as explicações dadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o bombardeio da embaixada chinesa em Belgrado. Um editorial do jornal ‘‘Cotidiano do Povo’’ denuncia os argumentos da Aliança Atlântica. ‘‘As afirmações da Otan de que não atacou intencionalmente a embaixada da China não podem dissimular este fato’’, diz o órgão oficial do Partido Comunista chinês (PCC).
‘‘Três mísseis atingiram a embaixada vindos de três direções diferentes, o que coloca inteiramente a nu as más intenções dos agressores’’, acusa o jornal. O bombardeio de Belgrado, no qual pelo menos três pessoas morreram, ‘‘derramou sangue chinês, um ato pelo qual (os agressores) devem ser responsabilizados’’, acrescentou o ‘‘Cotidiano do Povo’’. Duas pessoas estavam desaparecidas ontem e 20 ficaram feridas.
France PresseSucessão de errosTrês pessoas morreram na embaixada. Javier Solana (destaque), secretário geral da Otan, lamentou o ‘‘erro’’Em Pequim, centenas de pessoas protestaram contra o bombardeio em Belgrado, diante da embaixada dos EUA. O consulado americano na cidade chinesa de Chengdu (sudoeste) foi incendiado por manifestantes revoltados.
O secretário geral da OTAN, Javier Solana, lamentou o erro que resultou no bombardeio e anunciou a abertura de investigação oficial. A Otan disse ontem num comunicado, em Bruxelas, que ‘‘não atacou deliberadamente a embaixada da China em Belgrado’’ e disse ‘‘lamentar os danos causados’’ a este edifício ‘‘ou as vítimas’’ que tenham resultado do bombardeio, entre o pessoal diplomático chinês. O ataque à embaixada da China, representa o oitavo ‘‘erro’’ da Otan desde o início dos ataques aéreos em 24 de março, e é o segundo em menos de 24 horas. Estes erros, classificados como ínfimos pela Aliança, considerando o conjunto dos ataques efetuados nas últimas seis semanas, causaram pelo menos 222 mortos entre a população civil, segundo fontes sérvias.
O Pentágono lamentou profundamente as mortes causadas pelo erro da Otan, mas destacou que continuará a campanha aérea contra a Iugoslávia iniciada há 46 dias. ‘‘Lamentamos profundamente a perda de vidas ontem à noite na embaixada chinesa de Belgrado. Esse edifício não era nosso objetivo, o bombardeio foi um erro’’, disse o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon. Funcionários da Otan disseram que o prédio da embaixada foi confundido com departamentos iugoslavas de abastecimento e entrega de armas.
O presidente russo Boris Yeltsin exortou os países da Otan a ‘‘deterem o derramamento de sangue’’ cessando os ataques aéreos à Iugoslávia, e qualificou o bombardeio da embaixada da China em Belgrado de ‘‘violação grosseira do direito internacional’’, em comunicado divulgado pelo Kremlin. ‘‘Em nome de todos os russos, indignados com as ações da Otan, conclamo todos os países da Aliança a deterem o derramamento de sangue, a cessarem os ataques aéreos e a se empenharem nas negociações de paz’’, diz o texto assinado pelo chefe de Estado russo. ‘‘A destruição de uma embaixada estrangeira’’, prosseguiu, ‘‘não é apenas um ato de vandalismo, mas também uma violação grosseira do direito internacional’’.
Os ‘‘Estados Unidos lançaram um desafio estratégico à comunidade mundial que pode concluir num apocalipse mundial’’, afirmou ontem um alto dirigente russo do ministério da defesa, o general Leonid Ivachov, citado pela agência Interfax. O bombardeio da embaixada da China em Belgrado, segundo Ivachov, ‘‘prova que os Estados Unidos e seus aliados da Otan perseguem uma política de violação de todas as normas do direito internacional, dos princípios humanitários e de destruição da ordem mundial estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial’’.
Os esforços de paz para a Iugoslávia são obstruídos pela direção militar da Otan, cujas ações fracassaram completamente’’, afirmou ontem o chanceler russo Igor Ivanov, segundo a agência Interfax. O Ministério do Exterior da Rússia, disse Ivanov, ‘‘dispõe de informações de que o Exército de Libertação de Kosovo (ELK) está se preparando para, num futuro próximo, levar à frente um dura ação de provocação em Kosovo a fim de empurrar a Otan para uma intervenção terrestre’’.‘‘Insistimos no fato de que seja colocado um ponto final na agressão da Otan contra a Iugoslávia, e que se coloque em marcha todo o esforço para uma solução negociada da crise’’, acrescentou.

mockup