O regime chinês libertou ontem dois intelectuais sino-americanos, que estavam condenados a dez anos de prisão por espionagem, para melhorar as relações com os Estados Unidos antes da primeira visita à China do secretário de Estado norte-americano Colin Powell. O ministério chinês das Relações Exteriores anunciou que Gao Zhan e Qin Guangguang, detidos, respectivamente, em fevereiro e dezembro, haviam sido libertados por razões médicas e autorizados a fazer tratamento no estrangeiro.
Gao foi conduzida pela manhã a um avião que partiu para os Estados Unidos e se ignorava se Qin também foi expulso da China. Residentes permanentes nos Estados Unidos, os dois foram condenados terça-feira a dez anos de prisão por espionagem em favor de Taiwan.
Sua libertação acontece 24 horas depois da do universitário americano Li Shaomin, condenado em 14 de julho a ser expulso da China por espionagem para Taiwan.
Em um comunicado, o ministério das Relações Exteriores reiterou que Qin e Gao eram membros de ‘‘uma organização taiuanesa de espionagem’’ e haviam realizado ‘‘em inúmeras ocasiões atividades de espionagem’’ contra a China.
Os serviços envolvidos, considerando seu estado de saúde e seus pedidos de libertação, autorizaram sua expulsão para o exterior, para seguir tratamento médico, acrescentou o ministério.
Gao tem problemas cardíacos que a levaram a ser hospitalizada na semana passada. Enquanto conclui o processo, seu advogado apresentou um pedido de liberdade por razões de saúde. Em compensação, os problemas de saúde de Qin são desconhecidos.
O secretário norte-americano Colin Powell, que está na Ásia, manifestou ontem sua satisfação pela libertação dos dois pesquisadores.
Gao Zhan, que reside oficialmente nos Estados Unidos, onde dá aulas de sociologia na American University de Washington, retornou ontem mesmo ao país. Ela foi presa no início de fevereiro no aeroporto de Pequim, quando tentava voltar aos Estados Unidos depois de passar férias na China. Seu filho de cinco anos e seu marido foram detidos à parte durante um mês antes de serem expulsos. Pequim não avisou os Estados Unidos da detenção do menor, apesar deste ter nacionalidade americana.

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