Enquanto eleva a heróis as vítimas dos bombardeios da Otan à embaixada chinesa em Belgrado, o presidente da China acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de tentar dominar o mundo e pediu às nações de todo o planeta que desafiem a tirania norte-americana e criem uma nova ordem justa.
O presidente Jiang Zemin disse que os Estados Unidos estavam utilizando-se de sua superioridade econômica e tecnológica para expandir agressivamente sua influência, exercer ‘‘força política e querer apenas interferir nos assuntos internos de outros países’’.
A acusação, feita em uma cerimônia emocionante para conferir os títulos de ‘‘mártires revolucionários’’ às três pessoas mortas no bombardeio, marcou a primeira vez em três anos de melhora nas relações que Jiang descreveu os Estados Unidos com um termo que a China reserva apenas aos países inimigos - hegemonista.
As duras palavras mostram o quanto a campanha da Otan contra a aliada chinesa Iugoslávia e o ataque à embaixada prejudicaram a vontade política da China para um relacionamento mais ameno com os Estados Unidos. A declaração marcou um retrocesso para Jiang, que no ano passado reivindicou o crédito por arquitetar a reaproximação com Washington.
Jiang, que também lidera o Partido Comunista, insinuou que os protestos públicos em frente à Embaixada dos Estados Unidos na China - encerrados terça-feira - poderiam ser retomados se as exigências chinesas para reparação não fossem cumpridas.
Os Estados Unidos e a Otan devem desculpar-se formalmente, investigar completamente o bombardeio e punir os responsáveis, informou a Agência de Notícias Nova China citando Zemin. ‘‘Se não, o povo chinês nunca esquecerá o assunto.’’

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