China e Rússia exigem fim do bombardeio
Edith M. Lederer Associated Press
China e Rússia exigiram ontem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pare de bombardear a Iugoslávia antes de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adotar formalmente uma resolução para acabar com o conflito em Kosovo e abrir caminho para o retorno de mais de 1 milhão de refugiados.
O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, reuniu-se informalmente para discutir o texto proposto horas depois de os ministros de relações exteriores dos sete países mais industrializados e da Rússia - o G-8 - concordarem com o texto de uma resolução em Colônia, Alemanha.
Enquanto os Estados Unidos e seus companheiros da Otan tentavam uma rápida adoção, a China informou que teve dificuldades em muitos assuntos-chave e precisava buscar instruções de Pequim.
Claramente, o tempo é essencial e esperamos poder chegar a um acordo o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo o Conselho de Segurança não é um carimbo, declarou o vice-embaixador da China na ONU, Shen Guofang. Esperamos poder ter todas as consultas informais do texto e cuidar das preocupações de todos os membros do conselho, disse.
Embaixadores do Grupo dos Oito marcaram uma reunião para a tarde de ontem para discutir as preocupações levantadas por membros durante a reunião inicial do conselho, que durou exatamente uma hora. Diplomatas dizem não esperar nenhuma atitude do conselho até pelo menos amanhã.
Segundo o plano de paz, o Conselho de Segurança deve autorizar uma força internacional e uma administração civil que seria enviada a Kosovo sob os auspícios da ONU para garantir o retorno seguro dos refugiados. O governo iugoslavo aceitou o plano de paz na quinta-feira passada.
Shen disse que a mais importante exigência da China é o fim dos bombardeios - não apenas uma pausa - antes de qualquer reunião formal do conselho sobre a resolução.
O embaixador da Rússia na ONU, Sergey Lavrov, ecoou a exigência. Nenhuma resolução pode ser discutida e adotada seriamente até que os bombardeios parem, disse ele.
Como membros permanentes do Conselho de Segurança, tanto a Rússia quanto a China têm poder de vetar as resoluções. Os outros membros permanentes são Estados Unidos, França e Grã-Bretanha.
Shen disse que a China também tem dificuldade em aceitar uma referência feita no rascunho sobre o mandato do Tribunal Criminal Internacional para a Iugoslávia por este ter indiciado o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic por crimes de guerra. Nós acreditamos que o indiciamento foi politicamente motivado, portanto, não podemos aceitá-lo, disse Shen.
A China também está preocupada pelo fato de a resolução propor sua adoção com base no Capítulo 7 da Carta da ONU, que torna a resolução passível de ser imposta militarmente, declarou. Nós não podemos dar justificativas para que a Otan volte a bombardear a Iugoslávia, acredita.
A Iugoslávia, que tem laços estreitos com Rússia e China, quer que o conselho adote uma resolução com base no Capítulo 6 da Carta da ONU, que trata do acordo pacífico de disputas, e não uma imposição militar.
Shen reiterou que a China considera Kosovo um assunto interno do governo iugoslavo. Pequim é particularmente sensível em relação a uma intervenção internacional em assuntos internos devido a seus problemas com o Tibete e com Taiwan.
Diplomatas ocidentais disseram que o cenário com o qual estão trabalhando poderia começar com a assinatura de um acordo militar entre os comandantes da Otan e da Iugoslávia. Isto deveria ser seguido pela retirada de soldados iugoslavos. Uma vez que a Otan verifique o início da retirada, ela interromperá o bombardeio de alvos na Iugoslávia.
Isto poderia satisfazer a russos e chineses e criar condições para uma reunião do Conselho de Segurança para adotar a resolução, dizem os diplomatas. Nas próximas 24 horas nós veremos tudo isso de forma sincronizada, disse o embaixador britânico na ONU, Jeremy Greenstock, sem dizer qual seria a sequência exata dos acontecimentos.
Oito dos 15 países membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas não participaram da negociação do texto e verão seu rascunho pela primeira vez - Argentina, Bahrein, Brasil, Eslovênia, Gabão, Gâmbia, Malásia e Namíbia. Seus embaixadores terão de enviar o rascunho para que seus governos aprovem, disseram diplomatas.Conselho de Segurança das Nações Unidas, composto por 15 membros, devem adotar formalmente resolução para acabar com o conflito em Kosovo
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