China e Rússia atacam resolução contra Irã
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sábado, 06 de maio de 2006
Das Agências 
Moscou - A proposta de resolução sobre o programa nuclear do Irã apresentada na última quarta-feira por Estados Unidos, Reino Unido e França parece ter poucas chances de ser aprovada no Conselho de Segurança da ONU, devido à oposição de China e Rússia, os outros dois membros do órgão com direito a veto. Os cinco países tentam chegar a um texto de consenso antes da reunião entre chanceleres, que ocorre amanhã, em Nova York.
A chancelaria russa criticou ontem o projeto, que considera a possibilidade de tomar ''medidas adicionais'' e evoca o Capítulo 7 da Carta da ONU, o que tornaria seu cumprimento obrigatório e poderia abrir caminho para sanções econômicas e ação militar. O projeto ''exige grandes mudanças'', segundo o vice-chanceler russo, Serguei Kisliak. ''Ainda é cedo para dizer quais mudanças devem ser feitas no projeto, para satisfazer a parte russa'', acrescentou, segundo as agências russas Interfax e RIA-Novosti.
O número dois da diplomacia russa voltou a fazer referência à proposta apresentada por Moscou nos últimos meses, de enriquecer o urânio destinado às centrais iranianas no território russo. Kisliak disse que a proposta permanece sobre a mesa e pode representar uma solução para que Teerã suspenda, temporariamente, as atividades de enriquecimento.
O Conselho de Segurança deve prosseguir os debates para tentar um consenso sobre o projeto. O texto poderia obrigar legalmente o Irã com base no Capítulo VII da Carta das Nações Unidas a suspender o enriquecimento de urânio, um processo que serve tanto para produzir combustível para os reatores nucleares, como para fabricar a bomba atômica.
No caso de desobediência por parte do Irã, o documento adverte para a adoção de novas medidas, ainda não especificadas, que poderiam ser sanções contra Teerã. Para isto, o Conselho de Segurança teria de aprovar outra resolução.
Rússia e China não concordam com a possibilidade de sanções contra Teerã. Moscou tem interesses econômicos no solo iraniano, onde constrói a primeira central nuclear do país. Já a China depende do Irã, que abastece boa parte das necessidades energéticas do crescente desenvolvimento industrial do gigante asiático.
Questionado se a menção ao Capítulo 7 poderia conduzir à ação militar, o embaixador da China na ONU, Wang Guangya, respondeu: ''Essa é a preocupação, não só da China, mas de outros (países)'', disse Wang. ''Buscamos o que for a melhor linguagem (na resolução) para uma solução diplomática.''
Enquanto as potências não chegam a um acordo, o Irã parece imperturbável na intenção de dar prosseguimento a seu programa nuclear. ''A nação iraniana considera que tem direito à tecnologia nuclear e não cederá sob nenhuma circunstância'', afirmou ontem em seu editorial o diário conservador ''Jomhuri Eslami''.


