China e Brasil propõem redução da pobreza
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
France Presse 
Xangai - China e Brasil pediram ontem um melhor acesso aos mercados dos países desenvolvidos, em uma conferência contra a pobreza, mas Pequim insistiu no direito à diferença, enquanto o presidente brasileiro defendeu uma maior equidade social.
Ante mais de 800 dignitários de países em desenvolvimento e representantes de organizações internacionais reunidos em Xangai, o chefe do Governo chinês, Wen Jiabao, pediu que os países ricos ''aliviem mais a dívida'' dos países em desenvolvimento, ''acelerem as transferências de tecnologia em seu favor e retrocedam no protecionismo comercial''.
Por seu lado, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou especificamente os subsídios à agricultura na Europa e Estados Unidos. ''É preciso pôr um fim aos subsídios escandalosos que muitos países desenvolvidos concedem à sua produção e a suas exportações agrícolas, que geram graves distorções entre países na economia mundial'', declarou Lula.
Wen apelou ''às Nações Unidas, ao Banco Mundial e às outras organizações internacionais que façam melhor seu trabalho, investindo mais recursos e lançando uma campanha conjunta contra a pobreza''. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro chinês insistiu na ''importância do respeito ao direito de cada país a um desenvolvimento independente, o direito dos povos de escolher seu caminho e sua forma de desenvolvimento à luz de sua situação nacional''.
Em uma referência apenas velada aos Estados Unidos, pediu ''democracia nas relações internacionais''. O presidente Lula insistiu na necessidade de dar prioridade às questões sociais nas relações internacionais. ''Não resolveremos o problema da pobreza enquanto não conseguirmos combinar o crescimento com a equidade social'', disse.
Lula destacou que a luta contra a pobreza necessita de uma atenção que supere as medidas de emergência ou caritativas, quando mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de um dólar por dia. ''A fome é a pior das armas de destruição em massa'', destacou. Na terça-feira em Pequim, Lula tinha dito que é ''necessário reequilibrar a agenda internacional e que atualmente só se preocupa com questões de segurança''.
Com o título ''Reduzir a pobreza, apoiar o crescimento, o que funciona e o que não funciona e por quê'', a conferência organizada pelo Banco Mundial e o Governo chinês, primeira em seu gênero, busca colocar em conjunto todas essas experiências para reduzir a pobreza à metade antes de 2015.


