China critica cláusulas de acordo comercial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de setembro de 2000
France Presse De Pequim 
Pequim parabenizou publicamente ontem a aprovação pelo Senado americano da lei que normaliza as relações comerciais entre os dois países, mas não se esqueceu de denunciar as cláusulas sobre direitos humanos do texto, destinadas a manter a pressão contra o governo chinês.
O porta-voz do Ministério de Comércio Exterior da China, Hu Chusheng, declarou que o povo chinês espera há tempos a normalização permanente das relações comerciais com os Estados Unidos. Isso reflete a vontade comum de ambos os povos, acrescentou Hu, afirmando que a aprovação interessava tanto à China quanto aos Estados Unidos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Sun Yuxi, estimou que a votação trará estabilidade às relações sino-americanas, fortemente perturbadas após o bombardeio da embaixada da China em Belgrado por aviões da OTAN, em maio do ano passado.
Em suas negociações bilaterais de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), concluídas em novembro passado, Pequim exigiu de Washington a concessão definitiva deste estatuto comercial. A aprovação do Senado americano abre caminho para uma adesão rápida da China à OMC.
A Câmara de Representantes decidiu, em uma votação que aconteceu há quatro meses, criar uma comissão especial encarregada de supervisionar permanentemente a situação dos direitos humanos na China. Esta comissão deverá entregar um relatório anual ao Congresso americano.
Outro grupo terá a função de investigar as acusações de que certos produtos chineses importados pelos Estados Unidos são fabricados por presos.
O porta-voz do Ministério de Comércio Exterior e Cooperação Econômica reiterou a denúncia chinesa contra essas medidas. Constatamos que o texto adotado pelo Senado americano contém certas cláusulas que não têm nenhuma relação com o comércio e cujo objetivo é intervir nos assuntos internos da China. O governo chinês se opõe prontamente a essas cláusulas, declarou Hu.
Os empresários americanos comemoraram a votação no Senado americano para uma normalização permanente das relações comerciais entre os Estados Unidos e a China.
Os sindicatos e a indústria têxtil, no entanto, criticaram esta nova lei que, segundo afirmam, acabará com dezenas de milhares de empregos americanos, sem que, por isso, melhore a vida dos trabalhadores chineses.
Por outro lado, a empresa aeronáutica Boeing, o gigante informático Microsoft, assim com várias grandes associações profissinais anteciparam uma nova era nas relações comerciais sino-norte-americanas.
Com uma população de 1,2 bilhão de pessoas, a China é o maior mercado do planeta, pronto para virar a segunda economia mundial atrás dos Estados Unidos, enfatizou Jerry Jasinowski, presidente do Sindicato Nacional de Indústrias de Manufaturas, que representa mais de 13 mil pequenas, médias e grandes empresas desse setor.
A China pode converter-se, daqui alguns anos, no primeiro sócio comercial dos Estados Unidos, e a forte progressão das exportações americanas levará a criar centenas de milhares de empregos, segundo ele.
Além da abertura do mercado chinês e o crescimento dos intercâmbios comerciais com o resto do mundo, ao melhorar as condições econômicas na China, contribuirá para o processo de democratização do país, assegurou Jasinowski.
Michael Rawding, o responsável da Microsoft para a China, estimou que até o final do ano este país será provavelmente o terceiro mercado mundial para computadores, e o número de pessoas a acessar a Internet duplicará até chegar aos 20 milhões.


