China condena o julgamento de Milosevic
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de julho de 2001
Associated PressDe Pequim 
O Exército da China acusou ontem os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de orquestrarem de forma cínica o julgamento de Slobodan Milosevic por crimes de guerra com o objetivo de expandir a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o leste.
Apesar de a China ser obrigada a respeitar o tribunal de Haia, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos colocam em risco sua justiça e independência ao usá-lo por seus próprios interesses políticos, publicou o Jornal do Exército de Libertação Popular em um editorial.
Os líderes da China comunista condenaram a campanha aérea promovida pela Otan contra a Iugoslávia em 1999 sob o argumento de acabar com as atrocidades contra os muçulmanos de Kosovo. Pequim temia que a ação abrisse um precedente para eventuais tentativas de intervenção internacional nas províncias chinesas do Tibete e de Xinjiang.
A oposição chinesa intensificou-se quando aviões da Otan bombardearam a Embaixada da China em Belgrado, desencadeando uma série de manifestações populares contra missões diplomáticas norte-americanas na China. O governo chinês nunca aceitou a explicação da Otan de que o bombardeio ocorreu por engano.
Pequim não se manifestou quando Milosevic foi destituído do poder em outubro de 2000 e também silenciou quando ele foi enviado a Haia em 28 de junho para ser julgado por supostos crimes de guerra cometidos em Kosovo.
No entanto, o editorial do jornal linha-dura do Exército parece reafirmar a desconfiança da China com relação à conduta do Ocidente no caso Milosevic.
Os Estados Unidos e outros países ocidentais trabalham com dois pesos e duas medidas em questões políticas e legais. Levar à corte líderes de países que eles consideram um obstáculo abre um abominável precedente no direito internacional e isto deve ser condenado pela comunidade internacional, publica o jornal.


