China comemora 80 anos do Partido Comunista
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domingo, 01 de julho de 2001
Associated Press de Pequim 
Procurando manter seu férreo controle em uma nação mergulhada em mudanças, o governante do Partido Comunista Chinês comemorou, ontem, os 80 anos do aniversário de sua fundação, admitindo a crecente influência do setor privado sobre a economia local.
O líder do partido, Jiang Zemin, em discurso perante uma platéia de políticos e representantes populares, reconheceu a importância da iniciativa privada e dos investimentos estrangeiros, como mola propulsora dos negócios. Somos os construtores de um socialismo com as características próprias da China, declarou o líder chinês em seu discurso transmitido pela televisão a todo o país.
Os comunistas, que contam com mais de 64 milhões de afiliados, deveriam aceitar em suas fileiras a gente talentosa de outros estratos da sociedade e que contam com os atributos para pertencer ao partido, acrescentou. Oitenta anos depois do congresso que concebeu sua criação, em julho de 1921, o partido luta por manter vigente sua influência em um país que passou por mudanças radicais, como consequência de duas décadas de reformas econômicas.
O desenvolvimento irreversível da iniciativa privada, o declínio das companhias estatais e o crescimento sustentado dos contratos econômicos e culturais entre a China e o Ocidente somado às novas tecnologias e avanços dos meios de comunicação propiciaram uma abertura em muitos campos e minou parte do controle quase absoluto que o partido exercia sobre a população.
Os jornais do governo destacaram em suas manchetes, com letras em vermelho, os grandes sucessos do partido, sobretudo, no melhoramento da qualidade de vida e em ter transformado a China em uma potência mundial, logo depois que os comunistas chegaram ao poder, em 1949.
Sem o Partido Comunista não haveria uma nova China. Sob a tutela do Partido Comunista, a China adotou um rosto completamente diferente, ressaltou Jiang, que deve passar adiante o comando a um sucessor mais jovem no ano que vem. O dirigente, de 74 anos de idade, falou durante quase duas horas, tendo ao fundo bandeiras vermelhas e uma enorme imagem em bronze da foice e do martelo.
Jiang deu indícios de que o partido continuará a resistir às influências ocidentias para a implantação de um sistema pluripartidarista.
Entretanto, mencionou uma série de medidas que objetivam frear a galopante corrupção nos escalões do governo. Temos que aniquilar a corrupção. Não há que dar-lhe guarida. Trata-se de algo inadmissível, afirmou Jiang.


