China aumenta orçamento militar
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domingo, 04 de março de 2007
France Presse 
Pequim - As autoridades chinesas anunciaram neste domingo um aumento do orçamento militar de 17,8% para 2007, em uma década de incrementos neste setor, o que preocupa a comunidade internacional pela tensão entre China e Estados Unidos em consequência da crise provocada pela venda de mísseis americanos a Taiwan. O assunto está na pauta da visita de três dias que o secretário de Estado norteamericano John Negroponte faz à China nesta semana.
As Forças Armadas chinesas receberão no decorrer do ano quase 351 bilhões de iuanes (45 bilhões de dólares), ou seja um aumento de 53 bilhões de iuanes em relação a 2006.
''A China aumenta progressivamente seus gastos militares'', declarou o porta-voz da Assembléia Nacional Popular (ANP, Parlamento), Jiang Enzhu, cujos trabalhos começarão hoje em Pequim e terão duração de 10 dias. ''Este aumento compensa a fragilidade dos recursos originalmente destinados à Defesa'', acrescentou o porta-voz.
Desta maneira, os gastos militares passam a representar 7,5% do orçamento, contra 7,4% em 2006.
''Globalmente, o percentual se mantém estável nos últimos anos e é relativamente baixo comparado ao de certos países, em particular o das grandes nações'', ressaltou Jiang, numa referência implícita aos Estados Unidos.
O porta-voz do Parlamento lembrou que o orçamento militar chinês de 2005 representava 1,35% do PIB do país, contra 4,03% dos Estados Unidos do mesmo ano.
Fontes do Pentágono calculam que a China dedica entre 80 e 115 bilhões de dólares por ano à Defesa, o que deixa Pequim em segundo lugar no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
''Insisto especialmente em que a China permanece comprometida no caminho da paz e do desenvolvimento, além de adotar uma política militar defensiva'', disse Jiang.
O orçamento 2007 deve ser aprovado durante a sessão plenária anual da ANP, o órgão legislativo supremo chinês, que acontece no Grande Palácio do Povo de Pequim na presença de quase 3.000 delegados.
Este aumento da força militar chinesa inquieta a comunidade internacional, em particular Estados Unidos e Japão, apesar das declarações tranquiilizadoras de Pequim.
O anúncio orçamentário foi feito em um momento de aumento da tensão diplomática entre Estados Unidos e China sobre o problemático tema de Taiwan. A confirmação, sexta-feira, de que Washington venderá centenas de mísseis à ilha, desencadeou a revolta de Pequim, que considera este território rebelde como parte de seu Estado e ameaça esmagar qualquer tentativa de independência.
''A China nunca tolerará a independência de Taiwan e não permitirá que ninguém, de uma forma ou outra, separe a ilha da pátria mãe'', reafirmou Jiang.
As autoridades de Taiwan também reagiram ao anúncio chinês.
''Estes números ilustram a crescente ameaça da China em relação a Taiwan'', denunciou Liu Teh-hsun, porta-voz do Conselho de Relações Continentais, que elabora a política taiwanesa a respeito de Pequim.


