China anuncia reforma radical
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quinta-feira, 05 de março de 1998
France Presse 
France PresseLi Peng falou ontem a 3 mil deputados no foro do Palácio do PovoO Primeiro-Ministro chinês, Li Peng, anunciou oficialmente ontem em Pequim uma reforma radical do sistema governamental e prometeu a manutenção de um crescimento forte, apesar da crise financeira que se registra no resto da Ásia. Em seu último informe de trabalho lido na abertura da nona legislatura da Assembléia Nacional Popular (ANP), Li Peng anunciou o fechamento imediato de 11 ministérios e comissões de Estado, o que deixará em 29 o número de pastas governamentais.
A operação dará lugar à maior mutação estrutural e movimento de pessoal desde o lançamento das reformas econômicas de Deng Xiaoping em 1978, advertiu Li Peng ante os 3 mil deputados que lotavam o imenso foro do Palácio do Povo. Essas demissões em massa de pessoal, que têm como objetivo tornar mais eficaz a administração, estiveram muito inspiradas pelo czar da economia chinesa, Zhu Rongji, que deve suceder a Li no dia 17. A reforma consistirá essencialmente em reestruturar ou suprimir os departamentos governamentais que se ocupam diretamente da gestão econômica, explicou Li Peng em um discurso de cerca de duas horas.
O regime de Pequim já se lançou, durante o XV Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), no mês de setembro do ano passado, a uma dolorosa aceleração da reforma das empresas estatais não rentáveis, cujas perdas alcançaram os 74,4 bilhões de iuanes (8,96 bilhões de dólares) em 1997. Essa política, que se traduziu em 12 milhões de demissões nos últimos anos, criará mais 11 milhões de desempregados em 1998, segundo a Academia chinesa de Ciências Sociais.
Fara fazer frente ao choque, Pequim conta com a manutenção de um crescimento forte. Li Peng confirmou o objetivo de uma alta de 8% do produto interno bruto (PIB) este ano, apesar da crise financeira asiática, que afeta as exportações chinesas.
Li Peng deixou a seu sucessor uma lista de sete grandes problemas, à frente dos quais figura a reestruturação do setor público, assim como as desigualdades entre regiões, setores econômicos e rendas.


