O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, admitindo um crescente descontentamento nas cidades e na zona rural, prometeu ontem reforçar a luta contra a criminalidade e a corrupção. Num discurso sobre o estado da nação no parlamento, Zhu afirmou que ‘‘um fardo intolerável’’ de taxas e multas arbitrárias está sendo imposto sobre fazendeiros e empreendedores, e reconheceu as dificuldades enfrentadas por milhões de trabalhadores desempregados.
Ele também ofereceu uma sombria avaliação da economia no início da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, e sugeriu que grandes gastos governamentais são a única forma de sair de uma desaceleração em meio à crise econômica asiática.
O discurso de Zhu contrastava fortemente com o tom triunfante que ele adotou ao assumir o cargo no ano passado, enquanto apresentava um plano para desmantelar grandes partes da economia socialista e tornar a burocracia mais eficiente.
‘‘A vida ainda é difícil para algumas de nossas pessoas, e a pressão para providenciar emprego para o povo é bastante grande’’, disse ele no discurso de uma hora televisionado para todo o país.
A China planeja tirar da miséria 10 milhões de moradores rurais este ano e aqueles que conseguiram fugir do desemprego não devem voltar a ele, disse Zhu. Zhu afirmou que a China deveria continuar a aprofundar a campanha ‘‘Bater Forte’’ contra o crime a fim de garantir a estabilidade social. Ele também destacou a luta contra o crime econômico, que ameaça o sustento dos chineses comuns. Muitas pessoas insatisfeitas começam a se rebelar contra as reformas econômicas que trouxeram o aumento do desemprego, ampliação das diferenças salariais e corrupção.
Em particular, existe uma revolta generalizada contra o abuso de autoridades locais que se comportam como senhores feudais com pouco respeito pelas leis e regulamentos. Zhu fez um claro pedido por contenção às autoridades que enfrentam numerosos protestos. As autoridades deveriam ‘‘resolver problemas de forma amigável e não podem fazer coisas de forma e brutal’’, afirmou ele.

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