Patrick Baert
France Presse
De Pequim
A China condenou nesta sexta-feira a uma longa pena de prisão quatro dissidentes em menos de uma semana, confirmando sua decisão de erradicar a subversão ao se aproximar o aniversário, em outubro, dos 50 anos do regime comunista.
Liu Xianbin, um dos fundadores do Partido Democrata Chinês (PDC-proibido) na província de Sixuã (sudoeste), foi condenado a 13 anos de prisão por ‘‘tentativa de subversão’’. É a sentença mais longa contra um opositor desde o final de 1998.
Liu Xianbin, 31 anos, foi condenado no final de um processo de quatro horas no qual ele se defendeu sozinho depois que seu advogado abandonou o caso por pressões das autoridades. O acusado declarou à corte que seu processo era ‘‘uma perseguição política’’, indicaram fontes ligadas a ele.
‘‘Liu, num primeiro momento, se negou a responder às perguntas, para mais tarde declarar que as acusações do promotor eram pura invenção e que não existia nenhuma prova contra ele’’, disse Chen Mingxian à AFP, mulher do condenado, precisando que Liu não apelará.
Nesta sexta-feira se soube que She Wanbao, outro membro do PDC de Sixuã, foi condenado quarta-feira passada a 12 anos de prisão por ‘‘crime de subversão’’, depois de um processo que durou apenas três horas.
Na segunda-feira passada, os dissidentes Zha Jianguo e Gao Hongmin, líderes do PDC em Pequim e Tianjin (norte), foram condenados respectivamente a 9 e 8 anos de prisão pelo mesmo motivo.
De Hong Kong, o Centro de Informação sobre os Direitos Humanos e o movimento Democrático na China estimou que 200 dissidentes foram indiciados de tentativa de suversão desde maio, quando a oposição tentava comemorar o décimo aniversário do massacre de Tiananmen. 30 deles serão julgados neste mês de agosto, segundo a organização.
Em dezembro passado, os principais dirigentes do PDC, Xu Wenli, Qin Yongmin e Wang Yucai foram condenados a longas penas de prisão devido ao seu partido ter pedido reconhecimento oficial, desafiando o regime.
‘‘Depois destas condenações, as autoridades acharam que os demais opositores teriam assimilado a lição, mas não funcionou’’, comentou um diplomata ocidental.
A mesma fonte considera que os processos serão a conta-gotas, já que a condenação de cem militantes de uma só vez pode provocar protestos da comunidade internacional.
A China, que desmente manter prisioneiros políticos, possui entre 2 mil e 10 mil prisioneiros, cuja imensa maioria continua desconhecida no Ocidente.
No ano passado, o Ministério da Justiça indicou que 2.050 pessoas foram detidas por ‘‘subversão’’ ou por ‘‘crime contra-revolucionário’’, uma acusação entretanto eliminada do código penal em 1997.
As organizações de defesa dos direitos humanos no exterior consideram impossível saber o número real de prisioneiros políticos, mas falam em geral em pelo menos 10 mil dissidentes presos.

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