Associated Press
De Pequim
O presidente Jiang Zemin disse ao presidente norte-americano Bill Clinton que a China não descarta a possibilidade de usar a força contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China, informou ontem a imprensa estatal chinesa.
Esta foi a ameaça mais grave na guerra de palavras chinesa que começou quando o presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, disse que os governos da China e de Taiwan têm relação de ‘‘Estado a Estado’’. Pequim, que considera Taiwan como uma província rebelde, considerou a declaração como um passo em direção ao anúncio formal de independência, e disse que impediria isso usando a força, se necessário.
A China e Taiwan são governadas separadamente desde a guerra civil, há 50 anos. Ambos dizem que são parte do mesmo país.
‘‘Nós não estamos desconsiderando o uso da força em Taiwan’’, teria dito anteontem à noite o presidente Jiang ao presidente Clinton, segundo o ‘‘China Daily’’. ‘‘Há certas forças na ilha de Taiwan e na comunidade internacional que visam separar Taiwan de sua terra natal. Nós não vamos esperar e deixar isso acontecer’’.
Jiang teria dito ainda, segundo o jornal, que ‘‘dividir o território e a soberania da China não é aceitável sob hipótese alguma. Nós aconselhamos as autoridades de Taiwan para desistir de qualquer tentativa de separação e evitar danos às relações já difíceis’’.
Em Washington, a Casa Branca reafirmou o apoio dos Estados Unidos à política ‘‘uma China’’ durante o telefonema. ‘‘Ele (Clinton) espera que ambos os lados possam manter um diálogo e resolver pacificamente as questões complicadas’’, disse o porta-voz da Casa Branca David Leavy.
A secretária de Estado Madeleine Albright deve encontrar o ministro das Relações Exteriores chinês, Tang Jiaxun, esta semana em Singapura. Oficiais chineses não confirmaram o encontro.
Lee irritou Pequim quando disse numa entrevista a uma rádio alemã, transmitida no dia 10 de julho, que os governos rivais têm relações de ‘‘Estado a Estado’’. Pequim classificou a declaração como uma rejeição à política de ‘‘uma China’’.
A disputa ameaça destruir as tentativas para reiniciar as conversações, interrompidas por Pequim em 1995, enfurecida com os esforços de Lee para elevar o perfil internacional de Taiwan.
Em Taiwan, muitos temem a invasão chinesa e o mercado de ações caiu cerca de 13% desde a última terça-feira por conta disso. Uma delegação vai a Washington para explicar a posição da ilha.
O governo de Taiwan esforçou-se ontem em tentar acalmar a opinião pública, preocupada pela crescente tensão entre Taipé e Pequim, insistindo que não há evidência de manobras militares por parte da China. O governo de Taipé não quis comentar a ameaça de invasão da ilha feita pelo presidente Jiang Zemin em conversa por telefone com seu colega americano, Bill Clinton, afirmando que se preciso usará a força para impedir a emancipação da ilha.

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