France Presse e
Associated Press
De Macau
Com o controle de Macau já consolidado, o presidente da China, Jiang Zemin, focalizou suas atenções em Taiwan, afirmando ontem que Pequim está determinada a recuperar a ilha o mais rápido possível. Em um discurso ainda em comemoração ao retorno de Macau, Jiang alertou Taipé contra qualquer tentativa de declarar independência, afirmando: ‘‘O governo e o povo chineses nunca tolerarão qualquer tentativa de separação da China.’’
Mesmo com uma objeção veemente de Taiwan, Jiang conclamou Taipé à reunificação na fórmula ‘‘um país, dois sistema’’, que permitiu com que Hong Kong e Macau mantivessem seus sistemas capitalistas ao mesmo tempo em que são administradas pelo PC chinês.
O vice-presidente taiwanês Lien Chan rejeitou a idéia de uma reunificação, afirmando que esse modelo só pode ser aplicado às colônias. Lien Chau, que é candidato do Kuomintang (nacionalistas no poder) à presidência, em março próximo, estimou que a situação de Taiwan é completamente diferente das de Hong Kong e Macau. ‘‘Macau era uma colônia, como Hong Kong, mas nós não somos uma colônia.’’
Macau viveu ontem seu primeiro dia ‘‘chinês’’ com uma exaltação patriótica, marcada pela chegada triunfal dos soldados do exército popular de libertação, doze horas depois que Portugal devolveu o território à China. Uma vanguarda de cerca de 500 soldados do exército chinês entrou em Macau ao meio-dia (2 horas de Brasília). Portugal devolveu nesta segunda-feira seu último resto do Império colonial, pondo fim a mais de quatro séculos de presença européia na Ásia.
Numa manifestação simbólica desta soberania recuperada, o exército chinês entrou aclamado pela multidão. Ao contrário do ocorrido em Hong Kong, a população de Macau está bastante satisfeita com a chegada das tropas chinesas, das quais espera obter mais segurança. Os delinquentes chineses têm promovido, nos últimos dois anos, uma guerra de quadrilhas, com dezenas de mortos em Macau.

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