China afirma estar em luta de vida ou morte
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quarta-feira, 19 de março de 2008
France Presse 
Pequim - A China afirmou que está envolvido numa luta de vida ou morte no Tibete e anunciou a rendição de 105 agitadores em Lhasa, ao mesmo tempo que o dalai-lama voltou a defender o diálogo após os distúrbios que, segundo os defensores da causa tibetana, deixaram dezenas de mortos e centenas de presos. ''Atualmente travamos uma luta intensa de sangue e fogo com a camarilha do dalai-lama, uma luta de vida ou morte com o inimigo'', disse Zhang Qingli, secretário do Partido Comunista da região autônoma do Tibete, em um discurso durante uma conferência audiovisual com as autoridades da região.
Zhang Qingli, considerado um veemente opositor a qualquer reivindicação de autonomia, criticou o dalai-lama e o chamou de ''lobo vestido de monge'' e de ''monstro com face humana, mas coração de animal''. Também pediu às autoridades chinesas que não baixem a guarda.
O Papa Bento XVI se somou ontem pela primeira vez aos chamados, ao afirmar que ''a violência não resolve os problemas e sim os agrava''. ''Acompanho com grande ansiedade as informações que nos chegam nos últimos dias do Tibete. Meu coração de padre sente tristeza e dor diante do sofrimento de tantas pessoas'', disse a milhares de fiéis reunidos na praça de São Pedro.
O dalai-lama reiterou ontem, em Dharamsala (norte da Índia), onde vive exilado desde 1959, sua oferta de diálogo, feita na véspera. ''Os chineses nunca solucionarão a questão tibetana mandando tropas. A única maneira é nos reunirmos frente a frente, iniciar o diálogo e alcançar uma solução mutuamente beneficiosa'', disse o assessor do líder budista, Tenzin Talkha.


