Santiago - Daqui a seis meses, os chilenos que assim desejarem poderão se divorciar. Foi promulgada ontem a Lei de Matrimônio Civil, que introduz o divórcio no único país ocidental que não aceitava o fim do vínculo matrimonial.
A nova lei, aprovada depois de mais de nove anos de debate legislativo, entrará em vigor no próximo mês de novembro e terá um caráter retroativo, já que incluirá os matrimônios anteriores à sua promulgação.
''Este é um dia duplamente histórico, porque acabamos com uma lei que vigorava há 120 anos, e também com uma farsa legal'', disse o presidente chileno, Ricardo Lagos, na cerimônia de promulgação, em meio a aplausos.
A ''farsa'' a que Lagos se referiu é a chamada ''nulidade matrimonial'', através da qual as uniões perdiam o efeito, uma fórmula a que o próprio presidente recorreu quando se separou da primeira mulher, há 40 anos. Através desse mecanismo, os cônjuges - com a conivência de um juiz - registravam erros na certidão de casamento, como endereço falso da noiva ou data de nascimento equivocada do noivo. Mais de 6 mil casais compareciam anualmente aos tribunais para anular seu matrimônio, segundo as estatísticas oficiais, uma rotina que os críticos classificavam de ''hipocrisia''.

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