O senador governista Jorge Lavandero denunciou ontem que cerca de 1.200 desaparecidos durante a ditadura foram lançados ao mar e que os restos de outros 800 foram retirados de suas sepulturas clandestinas antes de os militares deixarem o poder.
Lavandero presidiu há dois anos a comissão de direitos humanos do Senado, que compilou informações para localizar e entregar os restos de desaparecidos a seus familiares. Ele manteve contatos com porta-vozes de ‘‘cerca de 200 executores’’, os quais lhe revelaram que uma comissão das Forças Armadas percorreu o país em 1988 exumando restos de perseguidos políticos e ocultando-os em novas fossas clandestinas. Os militares só deixaram o poder em março de 1990.
Lavandero declarou que a remoção foi feita ‘‘para que os próprios executores e os que ordenaram as execuções não pudessem encontrar’’ os restos.
O senador também assegurou que as mesmas fontes lhe informaram que os desaparecidos durante a ditadura de Augusto Pinochet não são 1.200, como foi estabelecido por uma investigação oficial em 1991, mas na verdade superam a casa dos 2 mil, dos quais 60% foram lançados ao mar. Outros 800, segundo Lavandero, foram enterrados em diferentes pontos do país.
As revelações do senador vêm à tona no momento em que surgem os primeiros indícios sobre desaparecidos entregues por informantes anônimos a representantes religiosos.
A possibilidade de saber o que aconteceu aos desaparecidos ressurgiu após o compromisso assumido pelas Forças Armadas junto ao governo do presidente Ricardo Lagos de que, utilizando a lei do ‘‘segredo profissional’’, compilariam os dados em suas fileiras ativas e reformadas.

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