Pelo menos 60,7% dos chilenos entrevistados por telefone em 50 cidades do país acreditam que o ex-ditador Augusto Pinochet será libertado sem acusações do julgamento iniciado contra ele, graças aos seus problemas de saúde, informou ontem a Fundação Futuro, responsável pela pesquisa. O general Pinochet permanece desde quarta-feira sob prisão domiciliar, depois que o juiz Juan Guzmán Tapia o responsabilizou pelos 75 assassinatos da ‘‘Caravana da Morte’’ – uma comitiva militar que percorreu o país em outubro de 1973, um mês depois do golpe que o colocou no poder por 17 anos. Na pesquisa, 51,3% dos 300 entrevistados maiores de 18 anos se manifestaram a favor das decisões do juiz e apenas 8,7% acreditam que Pinochet, de 85 anos, é inocente.
O ex-ditador chileno participou, ontem, de uma missa na capela de sua propriedade na zona costeira de Bucalemu (120 km a oeste de Santiago), informou o canal de TV da Universidade Católica. Nas imagens divulgadas, Pinochet chega escoltado num automóvel à capela de sua propriedade Los Boldos, onde cumpre a prisão domiciliar imposta pelo juiz Juan Guzmán Tapia.
Esta foi a primeira aparição do ex-ditador desde que o juiz o submeteu formalmente ao processo, na segunda-feira passada.
Por outro lado, o juiz Juan Guzmán Tapia, que mantém o ex-ditador chileno Augusto Pinochet sob prisão domiciliar, advertiu que o inédito processo ainda está em sua fase inicial, numa entrevista publicada ontem pelo jornal La Tercera.
‘‘Estamos numa etapa inicial’’, frisou Guzmán Tapia, uma semana depois de ordenar a prisão do general Pinochet. Guzmán Tapia adiantou que depois desta primeira etapa ‘‘há muitos recursos pendentes’’, como a petição que os advogados defensores de Pinochet apresentaram à Corte de Apelações de Santiago, para anular a prisão e arquivar o processo sem acusações.
‘‘Rezo pelo general Pinochet’’, disse Guzmán Tapia, ao manifestar seu respeito pelo ex-ditador de 85 anos, lembrando sua ‘‘coragem’’ de responder ao interrogatório de 23 de janeiro, apesar de seus advogados pedirem que não respondesse às perguntas do juiz.
O magistrado não comentou a denúncia que surgiu na sexta-feira sobre seu parentesco com o ex-major Carlos López Tapia, que integrou a ‘‘Caravana da Morte’’.

mockup