Chile sedia a 2ª Cúpula das Américas
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
DPA 
Com a presença de 34 chefes de Estado e de governo do hemisfério ontem à noite em Santiago do Chile a 2ª Cúpula das Américas. A reunião de trabalho dos líderes do continente americano, com exceção do presidente de Cuba, Fidel Castro, será iniciada hoje e se encerrará amanhã, com a divulgação da Declaração Final.
A reunião de Santiago deveria marcar o pontapé inicial para a Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que pode entrar em vigor no ano de 2005. Mas o presidente norte-americano, Bill Clinton, chegou à cúpula sem o aval do Congresso dos Estados Unidos para negociar acordos comerciais através da chamada via rápida, o fast track o que facilitaria o caminho para a criação da ALCA.
Entre os temas que serão tratados pelos líderes reunidos em Santiago, estão reformas judiciais e acordos para cooperação no combate ao narcotráfico.
Desconhecidos lançaram uma granada e fizeram vários disparos contra os automóveis expostos em uma agência da companhia norte-americana Chrysler, ontem em Santiago. Segundo a polícia, o ataque não deixou vítimas e foi realizado por três homens que deixaram no local panfletos reivindicando a libertação de presos políticos em greve de fome. Não houve menção à Cúpula das Américas.
Um grupo de presos políticos chilenos entrou em greve esta semana em solidariedade a seus compatriotas que cumprem pena no Brasil pelo sequestro do empresário Abílio Diniz (v. pág. 8). A agência fica localizada no centro de Santiago, a pouca distância do ministério da Defesa. O atentado pôs em dúvida a eficácia do rígido esquema de segurança implementado para garantir a proteção aos líderes presentes à cúpula.
Bill Clinton afirmou ontem que a função dos militares é de ajudar as pessoas e não de governar, em uma apaixonada defesa da democracia e liberdade durante uma sessão especial do Congresso chileno à qual não compareceu o general de reserva e senador vitalício Augusto Pinochet.
O século 21 será o século da democracia, vaticinou Clinton, ante mais de 40 senadores e 120 deputados, além de centenas de convidados especiais reunidos em Valparaiso, sede do Congresso chileno. Ao se referir às ditaduras militares na América Latina durante a década de 80, o presidente norte-americano foi enfático, repetindo: Nunca mais, nunca mais.
Clinton afirmou que fará todos os esforços para conseguir um acordo de livre comércio para o hemisfério e acrescentou que seu governo se interessa especialmente com um tratado comercial entre os Estados Unidos e o Chile.


