France Presse
De Santiago
Precisamente 8,08 milhões de chileno comparecerão este domingo às urnas para eleger o sucessor do presidente Eduardo Frei ao período 2000-2006, sendo o líder socialista Ricardo Lagos e o direitista Joaquín Lavín os favoritos para ocupar a cadeira presidencial.
Tudo pode acontecer. Apesar do favoritismo do governista Lagos, segundo as pesquisas, o principal candidato da oposição, Joaquín Lavín, pode surpreender.
Entretanto, os dois candidatos que lideram as pesquisas precisam esperar a votação dos candidatos ‘‘menores’’: a comunista Gladys Marín, o humanista Tomás Hirsch, a ecologista Sara Larraín e o centrista Arturo Frei Bolívar, já que, de acordo com as últimas pesquisas, haverá segundo turno eleitoral no dia 16 de janeiro, pois nem Lagos nem Lavín conseguirão 50% mais 1 dos votos.
Neste país de 15 milhões de pessoas, 8.084.476 maiores de 18 anos estão inscritos. Destes, 4.208.086 são mulheres e 3.876.390 são homens.
Cerca de 60 mil membros das Forças Armadas (Exército, Marinha e Força Aérea) e da polícia militarizada de carabineiros velarão pela normalidade cívica da votação.
Segundo alguns analistas, Lagos – advogado e economista de 61 anos, ex-ministro de Educação e de Obras Públicas nos governos de Patricio Aylwin e Eduardo Frei, respectivamente – tem a força da Coalizão no poder e a estatura política de um estadista.
Lavín, por sua vez – economista de 46 anos, ex-assessor do general Augusto Pinochet e ex-prefeito da comunidade de Las Condes – tem as potencialidades e limitações de ser muito católico. Além disso, dizem ser pragmático e muito hábil.
Pinochet Pela primeira vez em três décadas, o general da reserva Augusto Pinochet está ausente de uma grande decisão política no Chile – não só fisicamente, mas também politicamente. O tema da prisão de Pinochet em Londres não fez parte dos debates. Curiosamente, ele não interessava aos dois principais candidatos.
O socialista Ricardo Lagos não quis manter-se confrontado com o incômodo dilema entre defender o julgamento de Pinochet fora do país, o que feriria o brio nacionalista chileno, e sair em defesa do ex-ditador.
Dois terços dos chilenos querem ver Pinochet julgado, mas no Chile. Já a Lavín não interessava ser confrontado com seu passado pinochetista, no esforço de conquistar votos do centro.
A equipe de defesa de Pinochet está protelando a realização de novo exame médico no general, pedido pelo governo britânico, que, incomodado com o prolongamento do caso, parece inclinado a aceitar o argumento humanitário e libertá-lo.
A interpretação é a de que os pinochetistas não querem que ele volte agora, concedendo um trunfo ao governo chileno – e a Lagos, por extensão – que reivindicaria a vitória no processo.(Com Lourival Sant’Anna, da Agência Estado).

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