Santiago O palácio governamental de La Moneda reabriu ontem as ''portas da democracia'', que permaneceram fechadas no Chile durante 30 anos, desde o golpe que instalou no país a ditadura do general Augusto Pinochet, marcado pelo suicídio do presidente socialista Salvador Allende, no dia 11 de setembro de 1973.
O presidente Ricardo Lagos transpôs o umbral do histórico acesso, e entrou silencioso e solene nos corredores, até chegar a um dos pátios do La Moneda onde foi realizada a cerimônia. Os 1.200 convidados aplaudiram a chegada do presidente, às 11H05 locais.
''Este é um dia para recordarmos sempre. Para refletirmos com maturidade sobre aquele momento de nossa história que tanta dor nos causou'', disse Lagos. Mas, acrescentou, ''este não é um momento para análises. Ao contrário, é um momento propício ao recolhimento''.
Situada no número 80 da rua Morandé, no lado leste do edifício colonial, a porta que Lagos reabriu nesta quinta-feira viu passar o corpo de Allende e o dos últimos combatentes que resistiram ao golpe há 30 anos.
Enquanto isto, O ex-general Augusto Pinochet abriu inesperadamente as portas de sua casa ontem e deixou entrar os jornalistas que presenciaram a entrega de sua faixa presidencial à fundação que leva seu nome.
Sem formular declarações, Pinochet permitiu o acesso da imprensa a um dos salões de sua residência do bairro de La Dehesa, a leste de Santiago, onde apareceu junto da esposa, Lucía Hiriart, ex-assessores de seu regime e membros da fundação que tem seu nome.

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