Com a publicação, ontem, na Gazeta Oficial da lei de ‘‘segredo profissional’’, começou a vigorar o prazo de seis meses para que os oficiais designados por suas Armas juntem os dados sobre os desaparecidos durante a ditadura, fornecidos por militares da ativa ou reformados.
O ‘‘segredo profissional’’ (não confessional) também será aplicado a todos os sacerdotes católicos do país, que cumprirão a mesma tarefa de receber informações sobre os desaparecidos, anunciou ontem a Conferência Episcopal, e ministros de outros credos se juntarão aos católicos em busca do mesmo objetivo.
Por lei, os designados para a tarefa deverão manter para sempre segredo sobre a identidade de seus informantes do contrário, poderiam enfrentar penas de prisão que vão de 61 dias a três anos e multas entre US$ 305 e US$ 510. A manutenção do segredo sobre a identidade dos violadores descontentou as famílias das vítimas.
‘‘O objetivo único, específico e final (da lei) é o de encontrar os corpos dos detidos-desaparecidos’’, declarou ontem o comandante-chefe da Marinha, Patricio Arancibia, que informou ter designado ‘‘um grupo especial’’ de sua Arma para cumprir o compromisso assumido pelos militares com o país.
O chefe da Polícia, general Manuel Ugarte, disse que já formou uma comissão para este trabalho e o comandante da força Aérea, Patricio Ríos, convocou pilotos reformados para cumprir a função.
O Exército, pelo contrário, está atuando em absoluto segredo, mas o general Juan Carlos Salgado, porta-voz do comandante-chefe Ricardo Izurieta, disse que uma centena de oficiais reformados estão dedicados à tarefa.
O ex-sargento Rubén Saldías, que na semana passada denunciou a execução de prisioneiros no Estádio Nacional de Santiago, revelou anteontem ter havido execuções também em sua unidade militar no norte do país. Saldías disse à televisão estatal que um jovem, cujo nome ele desconhece, foi executado, e que seus restos foram levados à formação rochosa de El Coloso, no litoral ao longo do deserto de Antofagasta, um lugar inacessível onde há covas submarinas.
A Igreja Católica, por sua vez, reiterou seu apelo aos católicos (cerca de 70% dos 15 milhões de chilenos) para que colaborem nesta tarefa que busca concluir a transição política.

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