Chile evoca 32 anos do suicídio de Allende
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domingo, 11 de setembro de 2005
France Presse 
Santiago - Uma multidão de manifestantes marchou ontem em Santiago para evocar a memória do presidente socialista Salvador Allende e os milhares de vítimas que a ditadura do general Pinochet deixou, aos 32 anos do sangrento golpe que o instalou no poder.
A coluna de cinco mil manifestantes, segundo a polícia, avançou da Praça Los Héroes até o Cemitério Geral, para prestar homenagem em frente à tumba de Allende, que se suicidou no palácio de La Moneda em meio ao ataque terrestre e ao bombardeio aéreo dos militares golpistas.
Convocada pela Assembléia Nacional dos Direitos Humanos, a manifestação terminou aos pés do memorial em que estão escritos, em uma parede de mármore, os nomes dos mais de mil desaparecidos durante o regime militar.
Violentos distúrbios que deixaram pelo menos uma dezena de detidos começaram nos arredores do cemitério, quando jovens com os rostos cobertos ergueram barricadas às quais atearam fogo e lançaram bombas incendiárias contra homens da polícia militarizada de Carabineiros, que responderam com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo.
O presidente socialista Ricardo Lagos, que presidiu um ato junto aos familiares de Allende no palácio de governo, se declarou favorável a superar as feridas que ainda dividem a sociedade chilena.
Lagos chegou ao La Moneda, no centro de Santiago, depois que a marcha de organizações humanitárias e partidos de esquerda passou pelo local. ''Não se trata de esquecer o passado, trata-se de tirar experiências para que aqueles fatos não voltem a ocorrer'', disse o presidente à imprensa.


