Santiago Os chilenos vão amanhã às hoje para decidir, entre a médica socialista Michelle Bachelet e o empresário de direita Sebastián PiÀera, quem será o próximo presidente do Chile, em uma votação em segundo turno que poderá ser definida por meio de um volátil eleitorado indeciso.
Embora a última pesquisa de intenções de voto tenha indicado que, a rigor, ocorre um empate entre os dois candidatos, analistas chilenos consideram que uma vitória de PiÀera seria considerada uma surpresa.
A aposta é na vitória de Bachelet, candidata da Concertação, aliança de centro-esquerda composta principalmente por socialistas e democrata-cristãos e que governa o Chile há 16 anos. Segundo levantamento divulgado na última quinta-feira pelo instituto Mori, Bachelet obteria 45% dos votos, enquanto PiÀera levaria 40%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para cima ou para baixo. O fiel da balança serão os cerca de 10% de indecisos um eleitorado considerado ''apolítico'' e, portanto, imprevisível, de acordo com os especialistas.
A coalizão de PiÀera, a Aliança pelo Chile, é formada pela Renovação Nacional e pela União Democrática Independente, ambos de direita. O empresário é dono do canal de TV Chilevisión e acionista majoritário da empresa aérea Lan Chile. Em lances especulativos controversos e em privatizações promovidas pelo regime de Augusto Pinochet (1973-90), PiÀera acumulou uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão, o que lhe valeu, pela imprensa local, a alcunha de ''o Berlusconi chileno''.
Bachelet, por sua vez, foi presa e torturada nos piores centros de detenção de dissidentes políticos da ditadura e passou muitos anos exilada na Europa. Médica, ascendeu politicamente ao assumir a pasta da Saúde do governo Ricardo Lagos e, posteriormente, a de Defesa, que a colocou cara a cara com remanescentes das forças que mataram seu pai, um oficial da Força Aérea, durante o regime de exceção.
O ex-ditador Pinochet é, aliás, o maior ausente dessas eleições chilenas. Abandonado pela direita depois da descoberta de que acumulou uma fortuna estimada em US$ 27 milhões em contas secretas no exterior e processado em diversas causas que investigam crimes de direitos humanos durante seu regime, ele morreu politicamente.

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