Chile enfrenta terremoto de 8,8 graus
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
Folhapress 
São Paulo - O terremoto que atingiu o Chile na madrugada de ontem matou ao menos 120 pessoas, informou a presidente do país, Michelle Bachele. Segundo o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, 34 das mortes foram registradas na região do Maule, a 300 quilômetros ao sul de Santiago.
Ainda ocorreram 13 mortes em Santiago, dez na região de O'Higgins, quatro em Valparaíso e três em Araucania, a 670 quilômetros ao sul de Santiago.
Na região do Bio-Bio, a 500 quilômetros de Santiago, onde ocorreu o epicentro do terremoto, registrado às 03h36 de ontem, foram confirmadas dez mortes, mas se presume que exista um número maior, segundo o subsecretário do Interior, Patrício Rosende.
Até o fechamento desta edição persistiam problemas de comunicação, segundo Rosende, que confirmou que o governo declarou estado de catástrofe em todo o território atingido pelo sismo, entre as regiões de Valparaíso e Araucania, que abrange 800 quilômetros do país.
A Marinha chilena iniciou a evacuação de alguns setores da Ilha de Páscoa, localizada a 3.500 km da costa do Chile no Oceano Pacífico, devido ao risco de formação de ondas gigantes, indicou a presidente, Michelle Bachelet. ''A Armada tomou as medidas e evacuará parte da ilha'' como medida de precaução. No entanto, Bachelet destacou que a situação na Ilha de Páscoa, onde residem cerca de 4.000 pessoas, é normal. A presidente descartou que haja risco de tsunami neste território.
O terremoto ocorreu poucos dias antes de completar 25 anos do sismo que causou centenas de vítimas e destruiu várias localidades no litoral central do Chile, em 3 de março de 1985.
A presidente Michelle Bachelet avalia a possibilidade de declarar zona catastrófica a região do Maule, Bio Bio e Araucania. ''Quero pedir calma'', disse a presidente chilena ao convocar uma reunião de emergência para discutir as medidas após o tremor às cinco da manhã locais.
Tsumanis
Um alerta de tsunami foi emitido para as zonas costeiras do Chile, Equador e Peru, e depois estendido para a Colômbia, Panamá, Costa Rica, Antártida e região do Pacífico.
O aeroporto internacional da capital chilena foi fechado e todos os voos foram cancelados até novo aviso depois do terremoto.
Os voos, quase todos de longa distância e na maioria procedentes de cidades dos Estados Unidos e Europa, estavam sendo desviados para aeroportos na Argentina, principalmente para a cidade de Mendoza.
Profundidade das águas e magnitude no epicentro do terremoto são alguns dos fatores que determinam a força com que as tsunamis chegam à costa. De acordo com o pesquisador Cristiano Naibert, do Observatório Sismológico, ligado à Universidade de Brasília (UNB), ''as tsunamis, formadas a partir de falhas geológicas que se movimentam no fundo do oceano, podem atingir entre 500 km/h e 800 km/h no momento em que se fornam no mar''.
Ontem, o Centro de Avisos do Pacífico dos Estados Unidos ampliou o alerta de tsunami para grau de vigilância à Colômbia, Panamá, Costa Rica e a Antártida, além do Equador. O Peru já havia sido alertado.
A agência meteorológica do Japão alertou para possíveis tsunamis na região do Pacífico.
Nem toda falha geológica provoca tsunamis. Ela depende do movimento ocorrido em um tipo específico de falha, chamada ''falha inversa''. ''No início, a onda possui alguns centímetros, mas atinge velocidades acima dos 500 km/h. À medida que se aproxima da costa, as tsunamis perdem velocidade, mas ganham em altura, pois movimentam maior quantidade de água'', afirma Naibert.
O tempo para uma tsunami chegar ao litoral depende da distância onde aconteceu o epicentro do terremoto, da profundidade do fundo oceânico e da velocidade que ela atinge. Por esse motivo, explica Naibert, é preciso analisar com dados precisos cada caso para poder prever em quanto tempo uma onda gigante chega ao litoral.
Reflexos em São Paulo
O terremoto que atingiu o Chile provocou alguns reflexos em áreas do Estado de São Paulo, segundo informações do professor George Sand, do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília. De acordo com o professor, esses reflexos são normais em casos de terremotos dessa magnitude e devem ser sentidos nas regiões mais altas e em prédios.
Itamaraty está trabalhando para dar apoio aos brasileiros que se encontram no Chile. O governo organizou o Núcleo de Assistência a Brasileiros, que irá fornecer informações através do telefone 61 8197-2284.


