Agência Estado e
France Presse
De Santiago do Chile
A eleição presidencial no Chile será decidida no segundo turno, dia 16 de janeiro, depois de virtual empate entre os dois principais candidatos. Apurados 99,3% dos votos, Ricardo Lagos, o candidato da coalizão de governo Concertación, estava na frente, com 47,96% dos votos válidos, seguido muito de perto por Joaquín Lavín, candidato da frente de direita Aliança pelo Chile, com 47,57%. A candidata do Partido Comunista, Gladys Marín, seguia num distante terceiro lugar, com 3,16%.
Os resultados parciais foram divulgados pelo subsecretário do Interior, Guillermo Pickering, enquanto a apuração continuava. Logo depois, Lagos leu um discurso, em que conclamou os chilenos à ‘‘união’’. Dando o tom do que será sua campanha para o segundo turno, em que procurará atrair os votos dados a Marín e a outros candidatos menores de esquerda, Lagos disse que a escolha será ‘‘entre um Chile débil e um Chile que protege os desvalidos, entre um país em que tudo é concorrência e outro em que haja fraternidade’’. ‘‘A história não terminou hoje (ontem), porque os resultados estão muito próximos e permanecerão assim. Haverá uma segunda rodada e nós venceremos. Sou um democrata e respeito a voz do povo. Entendi a mensagem que o povo nos deu e continuarei a trabalhar para conseguir essa vitória’’, disse Lagos.
Momentos antes, em entrevista coletiva, Marín responsabilizou a coalizão entre a Democracia Cristã e o Partido Socialista pelo avanço da direita nessa eleição. ‘‘Após dez anos de governo da Concertación, verificamos uma inclinação perigosa em direção à direita, graças à política conduzida por esse governo’’, disse a candidata comunista. Já Lavin afirmou que ‘‘apenas 7 milhões, dos 8 milhões de eleitores registrados no Chile, votaram domingo. Quase um milhão de eleitores não votaram, e estes votos poderão ser cruciais no segundo turno. Irei trabalhar para que eles votem em mim em janeiro’’.
A imprensa chilena apresentou como uma ‘‘surpresa’’ os resultados da eleição chilena. ‘‘Assombroso empate’’, destacou a primeira página de Ultimas Noticias de Santiago. Segundo disse ‘‘La Tercera’’, o resultado da eleição abalou a situacionista Coalizão de Partidos pela Democracia, de Lagos, que para o primeiro turno previa uma vantagem de pelo menos seis pontos sobre Lavín, do bloco Aliança pelo Chile.
Em seu editorial principal, El Metropolitano opina que ‘‘é evidente que a altíssima preferência por Joaquín Lavín pode ser interpretada como um voto de castigo para o governo da Coalizão e seu candidato e não somente o resultado natural do desgaste de 10 anos no poder’’.

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