A aprovação da venda de modernos aviões de combate ao Chile pelos Estados Unidos causou preocupação quanto a uma possível corrida armamentista na América Latina e à influência dos militares chilenos sobre o governo civil. Especialistas em controle de armas advertiram que a venda poderia causar tensões no Cone Sul e desatar uma nova corrida armamentista, com desvio de recursos sociais públicos.
Alguns analistas querem que Washington convença o Chile a trocar o seu pedido de dez jatos F-16 de última geração por um outro dos mesmos aparelhos, só que mais velhos e menos custosos. Assim, outros países da região não se sentiriam ameaçados. Um desses analistas é Tom Cardamone, do Conselho para um Mundo Habitável, grupo que promove o controle de armamentos.
O Chile pediu que os F-16 sejam equipados com mísseis Amraam, de última geração, que permitem aos pilotos rastrear e disparar contra objetivos ‘‘sobre o horizonte’’. Washington concorda com a vendas dos mísseis, mas diz que não entregará até que outro país do Cone Sul adquira, de uma outra fonte, uma arma com as mesmas características e potencialidades. ‘‘Isso está de acordo com a política norte-americana de não introduzir, em determinada região, novas tecnologias que possam alterar o equilíbrio de poder’’, explica Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado.
Washington adotou essa política há 24 anos, sob a presidência de Jimmy Carter. Foi também proibida, na ocasião, a venda de armas avançadas para a América Latina, na época governada por várias ditaduras militares.
Há quatro anos, quando o Chile começou a mostrar interesse pelos modernos F-16, a proibição foi levantada pelo presidente Bill Clinton. O Chile insistirá na entrega do sistema balístico Amraan, mas a maioria dos analistas acredita que a contra-oferta dos Estados Unidos será aceita pelos chilenos. (IPS)

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