Chernomyrdin luta para ser indicado
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sábado, 05 de setembro de 1998
Deborah Pasmantier France Press 
O candidato a primeiro-ministro russo, Victor Chernomyrdin, iniciou ontem uma campanha de fim de semana para tentar algo que parece quase impossível: convencer os deputados da Duma de que ele é o homem que pode tirar a Rússia do buraco negro financeiro. O Kremlin pediu e conseguiu, sexta-feira, que a Duma (câmara baixa do Parlamento) adiasse para amanhã a votação sobre a confirmação ou não de Chernomyrdin. Isso deu três dias de prorrogação a Chernomyrdin, que sexta-feira já parecia derrotado, como ocorreu na primeira votação, na última segunda-feira. Agora, o ex-primeiro-ministro e candidato dispõe de novas bases para tentar convencer os deputados da oposição comunista e reformista, que anunciaram seu não ao apadrinhado pelo Kremlin, seja quem for.
Chernomyrdin, primeiro-ministro designado pelo presidente Boris Yeltsin após a demissão do anterior governo, no dia 23 de agosto, se reuniu ontem com membros de diferentes grupos parlamentares. A seu favor, terá dois gestos de boa vontade de Yeltsin para com os parlamentares: o presidente declarou-se disposto a aceitar que de agora em diante a Duma seja consultada na formação de governo e propôs a realização de uma mesa-redonda sobre a composição do futuro Gabinete, amanhã, pouco antes da votação.
Além disso, Chernomyrdin poderá fazer valer que o fato de que o Conselho da Federação (câmara alta) lhe deu seu apoio, embora em uma votação sem significado político real.
Mas o adiamento da segunda votação tem poucas possibilidades de conduzir a um compromisso, estimou ontem o jornal reformista Sevodnia, assinalando que as posições continuam muito afastadas.
O Kremlin confirmou que Chernomyrdin é seu único candidato e os comunistas, embora tenham aceitado a mesa-redonda proposta pela presidência, reiteraram sua negativa firme a uma aprovação da candidatura do homem do Kremlin.
Amanhã, não examinaremos nenhum acordo, não assinaremos nada, não votaremos nada a favor de Chernomyrdin, declarou o líder do PC, Guennadi Ziuganov.
As mesas-redondas anteriores permitiram que o executivo e o legislativo chegassem a um acordo, mas então não havia, como agora, uma população russa completamente deprimida pela crise financeira e econômica.
A oposição parlamentar considera que Chernomyrdin, chefe de Governo de 1992 até março passado, é o responsável por este período sombrio, só comparável aos piores anos do pós-comunismo, 1991 e 1992.


