O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, contradisse em entrevista à TV Fox News, na quinta-feira à noite, a posição oficial do governo americano em relação à política israelense de matança de líderes palestinos que acusa de envolvimento em atentados contra judeus. Cheney considerou essas ações justificáveis. ‘‘Em Israel, o que eles têm feito, claro, ao longo dos anos, ocasionalmente, em um esforço de evitar atividades terroristas, é ir atrás dos terroristas (...) Se há uma organização que tramou ou está tramando algum tipo de atentado suicida, por exemplo, e eles têm clara evidência de quem ele é ou onde ele esteja situado, acho que há alguma justificativa em tentarem proteger-se prevenindo-se.’’ O comentário de Cheney teve ampla repercussão na mídia americana porque o Departamento de Estado e Casa Branca condenam a política de Israel e ainda esta semana expressaram suas críticas ao ataque israelense contra um escritório do grupo fundamentalista Hamas, em Nablus.
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischner, negou hoje que Cheney apóie as ações israelenses e acusou a imprensa de ter explorado declarações dele fora do contexto. Fleischner insistiu em que o presidente George W. Bush, o vice e o secretário de Estado, Colin Powell, estão unidos sobre a necessidade de parar a violência na região.
Protestos
Milhares de pessoas sairam às ruas na Jordânia, Egito, Líbano e Qatar, depois da oração semanal da ontem, para denunciar Israel, dois dias depois da morte de oito palestinos num ataque israelense na Cisjordânia.
Na Jordânia, milhares de manifestantes desfilaram clamando vingança pelos acampamentos de refugiados palestinos de Wihdat e Baqaa, assim como pela cidade de Zarqa, perto de Amã, sob vigilância policial.
Reunidos numa praça situada entre duas mesquitas no Cairo, 2.000 egípcios gritaram slogans antiisraelenses e pediram a Yihad (guerra santa) contra Israel.
Sequestros
A ONU admitiu ontem ‘‘problemas de avaliação’’ e de ‘‘comunicação interna’’ no episódio do sequestro de três soldados israelenses pelo grupo guerrilheiro Hezbollah, no sul do Líbano, em outubro.
Um relatório apresentado ao Conselho de Segurança informa ter a entidade em seu poder três vídeos feitos no dia da ação por suas forças na região – fato que negara por muito tempo – , mas garante que eles não mostram o sequestro nem têm dados novos. O material foi posto à disposição de Israel.
Segundo investigações da ONU, não há provas de que soldados da Índia integrantes de suas forças tenham colaborado com o Hezbollah para permitir o sequestro.

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