Longe da família havia nove dias, a brasileira Deborah Brando Balazs da Costa Faria, uma das vítimas do atentado à bomba ocorrido na semana passada em Jerusalém, foi recebida no começo da manhã de ontem, ainda dentro avião, pela filha mais velha e pelo marido, antes de ser conduzida de ambulância para o Hospital Israelita Albert Einstein, na zona sul da capital.
Foi um encontro de poucos minutos. Todos os passageiros já haviam descido quando os dois entraram. Deborah estava vestida com uma bata hospitalar. Tinha os braços e as pernas enfaixados. No pescoço, marcas de queimaduras. O marido da brasileira, Antonio Augusto da Costa Faria, confessou ter ficado surpreso com a extensão das marcas, mas garantiu que sua mulher estava bem. Deborah teve queimaduras de segundo grau. Mariana, de 20 anos, não conseguiu falar muito com a mãe. ''A gente só chorou, conversar a gente não conversou muito'', disse. ''Dá um alívio porque ela está aqui com a gente.''
Do pouco que falaram, Deborah relembrou do momento exato do atentado. ''Ela disse que o palestino estava na linha do meu avô e da Flora (mulher de Jorge Balazs, também ferida no ataque) quando explodiu'', contou Mariana. Mais tarde, completou: ''Na hora, ela não acreditou no que estava acontecendo.'' Faria classificou o ataque como ''uma fatalidade'' e assegurou que acompanharia a mulher numa próxima viagem a Israel. ''Às vezes, é muito mais perigoso viver em São Paulo do que lá.''

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