Os moradores de Cabul temem a chegada da noite e o corte de luz, sinônimo desde domingo passado de um iminente bombardeio da capital.
''Não sei o que vai acontecer. Só Deus sabe'', disse Khalifa Rajab, 48 anos. ''Tenho que voltar para casa antes que anoiteça, para não preocupar minha família'', afirmou.
À medida que a noite se aproxima, os moradores da capital se perguntam sobre a intensidade dos próximos bombardeios. ''Se for como na noite passada (terça-feira), tudo bem. Mas se for como nas duas noites anteriores, meus filhos vão chorar'', lamentou.
Ontem à noite, os filhos de Rajab provavelmente choraram. O ataque americano sobre a capital foi o mais intenso desde domingo. As explosões estremeceram os prédios de Cabul, grande número deles já muito danificados por mais de vinte anos de guerra.
Para enfrentar os bombardeios, Rajab comprou 28 quilos de farinha e cinco litros de óleo. ''Não pude comprar mais'', lamentou. Agha Mir Abid, um estudante de medicina, não estocou comida. ''Apenas remédios'', disse. ''É importante para minha família e para meus vizinhos.'' Ante a iminência do escurecer, se encomendou a Deus. ''Minha vida e minha morte estão nas mãos de Alá'', rezou.

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