Chefes de Estado se reúnem e manifestantes protestam
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sexta-feira, 04 de novembro de 2005
Das agências 
Mar del Plata (Argentina) - A IV Cúpula das Américas foi aberta oficialmente ontem na cidade argentina de Mar del Plata, onde governantes de 34 nações do hemisfério, que ainda discutem termos da Declaração Final relativos à Alca, adotarão um compromisso para combater, entre outras questões, a pobreza e o desemprego.
Por outro lado mais de 10 mil pessoas iniciaram uma manifestação pacífica no balneário de Mar de Plata, na Argentina, contra a presença do presidente americano, George W. Bush, que está no local para participar da 4º Cúpula das Américas.
Na manifestação, a multidão gritava ''Bush, fascista, você é o terrorista''. O grupo passou por avenidas e ruas fora da zona de exclusão uma área da cidade fechada para abrigar os representantes dos 34 países que participam do encontro. Os ativistas trouxeram consigo vários cartazes e bandeiras de países latino-americanos, entre elas a de Cuba.
Diego Maradona, Evo Morales, e mais 160 pessoas entre elas o cineasta bósnio Emir Kusturica chegaram na manhã de ontem a Mar del Plata a bordo do ''trem anti-Bush'' ou o ''trem da Alba'', a Alternativa Bolivariana para as Américas, órgão criado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para fazer frente à Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
A polícia do batalhão de choque também dispersou com gases lacrimogêneos cerca de 300 militantes que lançaram pedras contra as forças de segurança deslocadas para a área onde acontecem as reuniões da IV Cúpula das Américas. Os incidentes, que incluíram a queima de uma agência bancária, ocorreram a cerca de 600 metros do luxuoso hotel de Mar del Plata no momento da inauguração da cúpula, com a presença de 32 governantes do continente, inclusive o dos Estados Unidos, George W. Bush.
Os 300 ativistas, a maioria deles encapuzada, faziam parte de uma mobilização maior, de cerca de 10 mil piqueteiros e militantes de partidos de esquerda que marchavam pelas ruas de Mar del Plata em protesto contra a presença de Bush.
Já no balneário argentino de Mar de Plata, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que seus ''anfitriões'' têm uma tarefa difícil ao recebê-lo como visitante, devido aos protestos contra sua participação no encontro. ''Quero agradecer (a Kirchner) por ser um bom anfitrião. Não é fácil receber a todos esses países e talvez não seja particularmente fácil receber-me'', afirmou Bush, na coletiva de imprensa que aconteceu ao término da reunião bilateral com o presidente argentino, horas antes da inauguração oficial da cúpula.
Segundo Bush, Kirchner reconheceu durante a reunião que o ''comprometimento dos Estados Unidos na região pode ser construtivo e positivo, e eu estou de acordo com isso''. O presidente americano também afirmou que o encontro com seu colega argentino aconteceu ''em um ambiente de sinceridade''. Isso, porém, pode significar que alguns desacordos foram expressos de forma explícita.
Segundo o jornal argentino ''Clarín'', a reunião entre Bush e Kirchner durou cerca de 50 minutos, e foi acompanhada por vários funcionários de ambos os governos. O argentino foi acompanhado por sua mulher, a senadora Cristina Fernández, o chefe de gabinete, Alberto Fernández, o ministro das Relações Exteriores Rafael Bielsa, entre outros. Com Bush, estavam a secretária americana de Estado Condoleezza Rice, e o conselheiro se Segurança Nacional, Stephen Hadley. Kirchner pretendia obter de Bush um aval dos EUA nas negociações da Argentina com o FMI.


