Chefes da Otan desfilam em Pristina
Associated Press
Líderes civis e militares da Otan caminharam orgulhosamente nesta quinta-feira pelas ruas de Pristina, capital de Kosovo, em meio a aplausos, lágrimas e abraços de albaneses étnicos agradecidos pela campanha de bombardeio da aliança que forçou a retirada das tropas iugoslavas.
Os líderes se mostraram enaltecidos com a recepção, mas sobriamente notaram que o povo de Kosovo enfrenta uma longa e difícil luta para se libertarem dos ódios que ainda tomam a província.
Enquanto o secretário-geral da Otan, Javier Solana, e o comandante general Wesley Clark andavam pela cidade, onde muitos prédios foram destroçados pela guerra e por saqueadores, tropas de paz investigavam o cruel assassinato de três pessoas na Universidade de Pristina e um tiroteio entre sérvios e albaneses explodia nos corredores do principal hospital.
Em Pec, uma das mais importantes cidades de Kosovo, incêndios arrasaram casas sérvias e muitas das residências da parte cigana da localidade. Sérvios locais disseram que os incêndios eram parte da intensificação de uma campanha revanchista de albaneses.
Gostaria de pedir a todos os albaneses de Kosovo, na verdade a todos os povos de Kosovo, para não deixarem que o ódio étnico e o desejo de vingança cortem seus corações, disse Solana num entrevista coletiva à tarde, depois de encontrar-se com representantes sérvios e albaneses, incluindo Hashim Thaci, líder político do rebelde Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Esse encontro durou mais de 90 minutos e depois deste diálogo, eu realmente acredito que existe esperança, afirmou Solana. Ele elogiou Thaci por ter assinado um acordo com a Otan para a desmilitarização do ELK.
Clark disse que crescentes evidências de valas comuns e atrocidades sendo descobertas desde que os soldados de paz entraram na província em 12 de junho abonavam a controvertida decisão da Otan de bombardear a Iugoslávia. Acho que as ações da Otan foram plenamente justificadas. O que vemos aqui é a magnitude do horror que exigiu a ação da Otan, afirmou Clark.
Entre as noticiadas atrocidades está um massacre na vila de Slovinije, onde testemunhas disseram que 43 homens foram executados por sérvios e duas mulheres foram estupradas antes de serem mortas. Tropas da Otan detiveram ontem um homem identificado por moradores como um dos criminosos.
Também ontem, o parlamento iugoslavo aboliu o estado de guerra declarado após o início dos bombardeios da Otan em 24 de março. A decisão, que entra em vigor amanhã, irá suspender restrições à mídia, uma proibição de homens em idade militar deixarem o país e um banimento de reuniões públicas. Mas o parlamento também aprovou novas medidas que poderia preservar o poder do governo de controlar a dissidência.
O regime autocrático do presidente Slobodan Milosevic tem sido ameaçado pelo conflito de Kosovo, no qual a Iugoslávia foi duramente castigada por bombardeios e foi forçada a concordar com a retirada de suas tropas de Kosovo e permitir a entrada de forças lideradas pela Otan.
Aumentando a pressão, descontentes reservistas do exército iugoslavo bloquearam ontem pelo segundo dia seguido estradas no centro da Sérvia exigindo pagamentos atrasados pelos serviços prestados durante a campanha de bombardeio.
Também ontem, o Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu recompensas de até US$ 5 milhões por informações que levem à prisão de suspeitos procurados pelo tribunal de crimes de guerra para a ex-Iugoslávia, incluindo Milosevic.





