Londres - O chefe da Scotland Yard, Ian Blair, foi muito criticado após a divulgação de novos documentos que o acusam de ter tentado impedir uma investigação sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. ''Ian Blair deveria renunciar'', disse Harriet Wistrich, uma das advogadas da família do brasileiro. ''Ainda que ele não tenha mentido deliberadamente, enganou a família e a opinião pública ao deixar circular, durante semanas, informações que se mostraram falsas'', comentou.
''Este caso parece representar um dos piores erros da história da Scotland Yard'', publicou ontem o jornal britânico ''Daily Telegraph'' em seu editorial. ''A IPCC (comissão investigadora independente da polícia) terá que nos dizer se Ian Blair deixou que seus oficiais enganassem voluntariamente o público. Se isto tiver acontecido, parece difícil imaginar que ele possa permanecer no cargo.''
Segundo documentos divulgados ontem pelos jornais ''The Guardian'' e ''The Times'', Ian Blair teria feito o possível para impedir a abertura da investigação da IPCC. No mesmo dia em que o eletricista brasileiro foi morto, o chefe da Scotland Yard teria escrito a John Grieve, secretário do Ministério do Interior, para recomendar uma investigação interna da polícia. Segundo a correspondência, Blair achava que a intervenção da IPCC poderia prejudicar as investigações dos atentados de 7 de julho em Londres, que deixaram 56 mortos e 700 feridos, e dos ataques de 21 de julho.
Os membros da comissão de investigação não puderam iniciar os trabalhos até quatro dias depois da morte do brasileiro, período durante o qual a Scotland Yard bloqueou os acessos à estação de metrô de Stockwell, onde aconteceu o assassinato. Este atraso permitiu que provas importantes, como imagens registradas pelas câmeras de vídeo da estação, desaparecessem.
Na direção da Scotland Yard desde 1º de fevereiro, Ian Blair, 52 anos, é conhecido como ''o policial que reflete'', por seu sangue frio e calma quase impertubável. Apesar de ter tranquilizado a população britânica após os atentados de 7 de julho, ele poderá ter a carreira comprometida por causa da morte de Jean Charles.
Segundo o tablóide ''Daily Mirror'', Cressida Dick, inspetora da polícia de Londres responsável pela vigilância do brasileiro, deu instruções a seus homens para que o suspeito fosse capturado vivo, ordem que não foi cumprida. ''Francamente, temos muitas dúvidas sobre a possibilidade de que seja realizada uma investigação completamente independente, profunda e transparente'', comentou Harriet Wistrich.

mockup