Chefe de Polícia de NY persegue jovem brasileira
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
Renan Antunes de Oliveira Agência Estado 
O caso da pequena batida de carros envolvendo a brasileira Mônica Nascimento e Carol Safir, mulher do chefe de polícia Howard Safir, voltou ontem às manchetes dos jornais nova-iorquinos pelo segundo dia consecutivo, agora com desdobramentos políticos que ameaçam o cargo de Safir. Ele entrou na Justiça contra Mônica, dia 22, exigindo indenização de US$ 1,25 milhão, acusando a brasileira de dirigir embriagada e causar danos físicos à sua esposa. O acidente ocorreu em 1997.
Atualmente, Carol aparenta ótima saúde - o casal foi filmado na platéia do Oscar. Os danos no carro foram inferiores a US$ 1 mil. Mônica é carioca, 25 anos, recepcionista de um hotel em Manhattan, salário de US$ 2.500. Mora num pequeno apartamento alugado, em Astoria, o bairro dos brasileiros, em companhia da mãe, dona Vilma, que está encostada na previdência norte-americana.
Na prática, Safir processa a brasileira para forçar sua seguradora a pagar a conta. A acusação de embriaguez é uma tecnicalidade, porque Mônica não foi examinada na ocasião. Ela tem ficha limpa no DMV, o Detran local.
O alto valor da indenização e a notoriedade de Safir transformaram o assunto pessoal num embaraço à administração do prefeito Rudolph Giuliani. Outro complicador é o momento político do ajuizamento da ação: nas últimas semanas, a polícia enfrenta protestos diários da população, com 1,2 mil manifestantes presos.
Depois do anúncio da ação, descobriu-se que Safir usou detetives para perseguir Mônica após o acidente - a pretexto de checar sua identidade, policiais foram nas casas dos vizinhos e no emprego dela como se estivessem investigando tráfico de drogas, embaraçando a brasileira.


