Chefe de gabinete argentino rasga páginas do Clarín
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de fevereiro de 2015
Folhapress 
Buenos Aires - Irritado com reportagem publicada pelo "Clarín" na edição de domingo, o chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, rasgou páginas do jornal durante seu pronunciamento diário matutino. "É tudo lixo. Todo o tempo é mentira e lixo. É importante que o povo argentino saiba que estão mentindo", afirmou, irritado, enquanto rasgava as páginas do jornal, durante a coletiva de imprensa.
O pronunciamento diário de Capitanich é transmitido ao vivo pelo canal estatal TVP. Segundo reportagem do "Clarín", o promotor Alberto Nisman, encontrado morto no último dia 19, teria pensado em pedir a prisão de Cristina Kirchner e de seu chanceler, Héctor Timerman, pelo caso do atentado à Amia (associação judaica alvo de atentado em 1994).
Essa versão da denúncia, segundo o jornal, teria sido encontrada no lixo do apartamento de Nisman. A Justiça publicou uma versão na internet, em seu site oficial. Mas, neste documento, estão apagados os pedidos que seriam feitos pelo promotor. O "Clarín" sugeria que o possível pedido de prisão constaria desse trecho apagado.
O juiz responsável pelo caso, Ariel Lijo, divulgou uma nota em que afirma que a denúncia recebida pela corte não tinha nenhum tipo de rasura e que foi decisão do tribunal tapar os pedidos feitos por Nisman. Segundo o juiz, o intuito era preservar o que havia sido solicitado pelo promotor. Ainda segundo a nota de Lijo, houve supressão apenas de medidas que buscavam provas e não de "nenhuma outra petição substancial a respeito dos acusados."
Capitanich leu a nota do juiz para, em seguida, rasgar o jornal. "Portanto, tem que se fazer isso (rasgar), porque é falso", afirmou.


