Chechenos ameaçam matar reféns
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de outubro de 2002
France Presse 
Moscou O comando checheno ameaça começar a fuzilar reféns a partir de hoje, às 6 horas locais (23 horas de sexta-feira pelo horário de Brasília) se suas exigências não forem atendidas pelo governo russo, segundo pessoas ligadas aos reféns citadas ontem pela rádio Ecos de Moscou. Um porta-voz do serviço secreto russo (a FSB), Serguei Ignachenko, confirmou que o comando ameaça fuzilar reféns, pois suas exigências não foram atendidas, segundo a agência de notícias russa Interfax. Acrescentou que se o comando cumprir sua ameaça, as forças da ordem tomarão as medidas adequadas.
Os sequestradores tinham dado um prazo de três dias às autoridades russas para aceitar suas exigências, segundo as fontes citadas por esta agência, quando começou a captura de cerca de 700 reféns no teatro da Dubrovka, quarta-feira de noite.
De acordo com a empresa produtora do espetáculo Nord-Ost, consultada pela AFP, um membro de sua equipe, cativo nesse teatro, confirmou que o comando ameaça começar a executar reféns a partir de hoje.
Jornalista presente Uma jornalista da oposição russa conhecida por seu compromisso em favor da causa chechena, Anna Politkovskaia, entrou ontem no teatro da Dubrovka. Esta repórter voltou dos Estados Unidos, pois sua presença foi solicitada pelos sequestradores, informou no local Oleg Mironov, o representante russo para os direitos humanos.
Politkovskaia, uma repórter do jornal de oposição Novaia Gazeta, especialista em Chechênia, uma república que tem visitado frequentemente, acaba de publicar um livro de reportagem intitulado ''A segunda guerra da Chechênia'', no qual conta o martírio da população chechena e os abusos cometidos pelas forças russas.
Por sua parte, Mironov declarou que ''não entende as autoridades, que não querem negociar''. ''Se Putin não quer fazê-lo pessoalmente, há mediadores. É preciso falar com os caudilhos. O povo checheno está farto das operações de limpeza, dos postos de controle. É preciso suavizar o regime'', afirmou.
Promessa aos chechenos O chefe do serviço secreto russo (FSB), Nikolai Patrushev, prometeu ontem aos membros do comando checheno que suas vidas serão poupadas se libertarem os reféns, segundo a agência de notícias Interfax.
''Conversamos e continuaremos o diálogo, esperando resultados positivos em relação à libertação dos reféns'', disse Patrushev, citado pela agência.
Patrushev fez esta declaração após uma entrevista com o presidente russo Vladimir Putin e com o ministro do Interior, Boris Gryzlov.
Reféns libertados Mais quatro reféns foram libertados pelo comando checheno que mantém em seu poder 700 pessoas em Moscou, anunciaram os integrantes da célula da crise criada pelo governo russo para solucionar o problema, citada pela agência Interfax.
Pela manhã foram libertadas oito crianças.


