France Presse
De Moscou
Cento e sete milhões de eleitores russos estão sendo convocados para eleger hoje a nova Duma, câmara baixa do Parlamento, um referendo que tem a guerra na Chechênia como cenário, além de representar um teste para as presidenciais de junho do ano 2000.
O primeiro-ministro Vladimir Putin dirigiu apelo sexta-feira à noite a toda a nação para que compareça às urnas, apesar de uma campanha marcada por acusações de todo o tipo. ‘‘O destino de nosos filhos, de nossos netos, depende dos rumos que tomarmos no dia 19 de dezembro, assim como o destino da Rússia no próximo século’’, declarou Putin em discurso transmitido pela TV.
Num país onde a Constituição concede mais poderes aos presidentes que aos deputados, a formação da nova Duma será sobretudo decisiva pela chegada de novas forças que poderiam mudar a paisagem política do país.
Também representa um teste ante as eleições presidenciais de junho, nas quais se prenuncia uma dura luta entre o ex-primeiro-ministro Evgueni Primakov, à frente de uma nova coalizão, e o atual chefe de governo, Vladimir Putin, apoiado pelo bloco Unidade (centro-direita).
Conscientes disso, três candidatos anunciaram na sexta-feira sua candidatura oficial à sucessão do presidente Boris Yeltsin. Entre os 26 grupos em disputa, os comunistas, dotados de um eleitorado constante entre os aposentados, chegam em primeiro lugar nas últimas pesquisas divulgadas quarta-feira, com 20% a 29% dos votos.
Em segundo lugar está o bloco pró-Kremlin criado no final de setembro, o Unidade, com 13% a 20% das intenções de voto. Apoiado pelo muito popular Vladimir Putin, falcão da guerra na Chechênia, o Unidade subiu espetacularmente nas pesquisas. Seu líder, o ministro de Situações de Emergência, Serguei Shoigou, mostra-se quase que diariamente entre os refugiados de um conflito amplamente apoiado pela população russa.
Mas o anúncio-surpresa de Primakov, sexta-feira-passada, pode limitar as otimistas previsões do Unidade. Primakov, o homem que trabalhou pela estabilidade da Rússia depois da crise financeira de agosto de 1998, escolheu com efeito o momento oportuno para declarar-se candidato à presidência, apenas dois dias antes da eleição legislativa.
Esta decisão permitirá melhorar o resultado de sua coalizão OVR, que segundo as pesquisas – anteriores à sua declaração – obteria entre 10% e 16% dos votos.
Ontem, as tropas russas lançaram os ataques mais pesados sobre a capital da Chechênia, desde o início da campanha militar no território, em setembro. Os militares russos fecharam a cidade em três pontos, bombardendo-a em seguida com caças e tiros de artilheria. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que as forças russas bloquearam vias de passagem essenciais para os rebeldes chechenos, que levam à vizinha Geórgia.

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