Caracas- O presidente Hugo Chávez encerrou ontem, diante de milhares de partidários, a campanha pela reforma Constitucional, que será decidida em um referendo na Venezuela amanhã. Chavistas de todo o país ocuparam a avenida Bolívar e duas ruas adjacentes à espera do líder, formando um gigantesco mar de camisetas vermelhas, um dia após outra enorme manifestação no mesmo local, contra a reforma.
Chávez encerrou a campanha com um discurso dirigido especialmente às pessoas que o elegeram e que hoje rejeitam a reforma constitucional, que aumenta seus poderes, permite sua reeleição indefinida e instala o socialismo no país.
As pesquisas apontam um empate técnico, exceto por um instituto ligado ao governo, que dá 11 pontos de vantagem a Chávez.
Nos últimos sete dias, Chávez transformou o referendo em plebiscito sobre sua liderança e fez até três aparições públicas diárias, reduzindo a vantagem no ''Não'' verificada no final de outubro.
Hugo Chávez, que chegou a afirmar que o ''chavista'' que votar contra a reforma será um ''traidor'', teme principalmente a reação de seu eleitorado moderado, que foi levado para o lado do ''Não'' pelo grupo de dissidentes liderado pelo ex-ministro da Defesa e general da reserva Raúl Baduel.
Baduel, que impediu o golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002, conclamou hoje as Forças Armadas e ''toda a população a conjugar esforços para impedir, como em 2002, os planos para usurpar o poder estabelecido, o poder popular...''.
O movimento estudantil que surgiu em maio passado após a saída do ar do canal RCTV, cuja concessão não foi renovada por Chávez, liderou a campanha contra a reforma constitucional, que, pela primeira vez desde 2004, uniu-se em torno da votação.

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