Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que terá a continuidade de seu mandato submetida a um referendo neste domingo, proclamou ontem, último dia de campanha, sua ‘‘inevitável vitória’’. O fim da campanha aconteceu num ambiente surpreendentemente tranqüilo, levando-se em conta os recentes enfrentamentos entre chavistas e opositores. Chávez, que dirige pessoalmente a campanha eleitoral, convocou a imprensa no Palácio de Miraflores, onde citou ‘‘declarações recentes de Washington’’ que ‘‘parecem refletir um certo nível de inteligência, de reconhecimento da realidade e de nossa inevitável vitória’’.
  ‘‘A vantagem que temos é de tal magnitude que é impossível que ocorra alguma surpresa’’, afirmou o presidente. ‘‘O governo de (George W.) Bush será derrotado no domingo. Eu já disse que a oposição tem um amo que se chama George W. Bush’’, acrescentou.
  ‘‘O braço do governo intervencionista (dos EUA) tem atuado na Venezuela, promovendo a desestabilização, com um gasto de milhões de dólares para financiar a oposição venezuelana, inclusive neste referendo’’, acusou Chávez.
  ‘‘No momento, não tenho nenhuma prova contundente de que a CIA vem fazendo planos’’ para o referendo na Venezuela, disse Chávez. Mas o presidente advertiu que o governo ‘‘está sempre em alerta com as atividades da CIA’’, a que acusa de ter instigado o golpe de 12 de abril de 2002.
  Chávez garantiu que, se perder o referendo, entregará nesse mesmo dia o poder ao vice-presidente José Vicente Rangel: ‘‘Juro que o farei’’. ‘‘Ficarei uns dias descansando e em um mês voltarei à carga’’, afirmou Chávez, reiterando que voltará a ser candidato às próximas eleições presidenciais.
  Para esta tarde foram programadas algumas passeatas organizadas tanto pela oposição quanto pelos chavistas. As manifestações serão acompanhadas por 3.307 policiais e bombeiros.
  Já foi iniciada a mobilização de 118.000 militares, que vão resguardar os locais de votação neste domingo, informou o ministro de Defesa, Jorge Luis García Carneiro.
  O ministro assegurou que ‘‘as Forças Armadas têm um plano para garantir a paz do povo venezuelano’’. Segundo ele, serão reforçados ‘‘todos os postos fronteiriços e todos os pontos de passagem aos países vizinhos’’, mas será o próprio Chávez quem decidirá sobre um eventual fechamento das fronteiras.
  O Departamento de Estado americano alertou seus cidadãos sobre possíveis atos de violência no país e os aconselhou a evitar manifestações, com o possível ‘‘aumento do discurso antiamericano’’.
  O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ajustava nesta quinta-feira os detalhes técnicos da votação de domingo e a coordenação com observadores internacionais, principalmente a Organização dos Estados Americanos e o Centro Carter. As missões desses dois organismos serão comandadas pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria, e pelo ex-presidente Jimmy Carter.

mockup