Chávez salva seu mandato e oposição denuncia fraude
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segunda-feira, 16 de agosto de 2004
France Presse 
Caracas O presidente venezuelano Hugo Chávez salvou seu mandato ao ganhar o referendo de domingo, anunciou ontem o Conselho Nacional Eleitoral, mas a oposição não aceita os resultados e denunciou uma ''gigantesca fraude''.
O presidente do CNE, Francisco Carrasquero, disse em rede nacional que o ''Não'' à revogação do mandato de Chávez obteve 4.991.483 votos contra 3.576.517 para o ''Sim'' da oposição, após a contagem de 94,49% dos votos.
Os dois membros opositores do CNE questionaram esses números e a Coordenadora Democrática (CD), que promoveu o referendo, garante que ganhou a consulta. ''Rejeitamos rotunda e categoricamente os resultados fornecidos pelos três reitores do situacionismo no Conselho Nacional Eleitoral'', afirmou o dirigente da CD, Henry Ramos Allup, que acrescentou que o ''Sim'' opositor ganhou 59% dos votos contra 40,6% da opção pelo ''Não''. ''Nós vamos recolher os elementos que comprovarão ante a Venezuela e o mundo a gigantesca fraude contra a vontade popular'', disse Ramos Allup.
Logo que foi feito o anúncio do CNE, Chávez saiu à varanda do Palácio de Miraflores, sede do Governo, para celebrar ante seus seguidores o que qualificou como ''uma vitória limpa e transparente''. Chávez, um populista de esquerda de 50 anos, saudou seus simpatizantes e estendeu a mão à oposição, ao mesmo tempo em que garantiu que contribuirá para a estabilidade do mercado petroleiro.
''Meu governo garantirá a estabilidade do mercado petroleiro mundial'', disse o mandatário da Venezuela, país membro da Opep e quinto exportador mundial. Após uma semana em que o petróleo bateu recorde em cima de recorde, fechando a sexta-feira a 46,58 dólares em Nova York, o mercado esteve atento ao resultado do referendo.
Os dois membros opositores do CNE, dos cinco que formam a direção, anteciparam que não validarão o resultado oficial, ao denunciar que não foi feita uma auditoria completa das papeletas de votação. Adiantaram que ''a auditoria que devia ter sido feita sobre os comprovantes da votação automatizada não foi levada em conta''.
''Por sua parte, Ramos Allup disse que ''foram mudados arbitrariamente membros de junta e de mesa, substituídos por militantes do partido do governo''. ''Estamos na obrigação de defender o voto do povo'', adiantou, ao anunciar que a queixa será levada ante organismos internacionais.
Uma participação em massa no referendo obrigou a um inusitado prolongamento da votação até a meia-noite local. ''O Centro Carter participou em mais de 50 eleições em torno do mundo. Foi a maior presença de votantes que vi até agora'', disse o ex-presidente americano Jimmy Carter a jornalistas.
Carter e o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, se reuniram com o CNE antes da divulgação dos resultados. Gaviria comentou que a observação internacional espera que sejam apresentadas as provas de irregularidades eleitorais, caso existam. Para revogar o mandato de Chávez, a oposição precisaria de 3,8 milhões de votos mais de 25% de um eleitorado que supera os 14 milhões.
No domingo, as autoridades deram conta de incidentes isolados que deixaram três mortos e 13 feridos, um deles horas antes do início da votação. Ontem, durante um protesto contra a vitória de Chávez, uma mulher morreu e quatro pessoas foram feridas a tiros, entre elas um deputado. No episódio, supostos seguidores do presidente Hugo Chávez dispararam contra manifestantes da oposição, confirmou o médico Luis Chirinos, da clínica El Avila. A mulher que morreu, Maritza Ron, 61 anos, foi baleada no abdômen e o deputado ferido é Ernesto Alvarenga, que levou uma bala no peito, mas se encontra bem.
Além das fronteiras da Venezuela, o resultado do referendo teve repercussão negativa nos Estados Unidos, que pediram uma investigação rápida, completa e transparente das acusações de fraude realizadas pela oposição.
A vitória de Chávez foi recebida com tranquilidade em Nova York, onde o barril do petróleo de referência fechou em baixa, a US$ 46,05 com um retrocesso de 53 centavos, e em Londres, onde o barril do Brent baixou 21 centavos a 43,67 dólares.


