Chávez quer saber quem votou contra ele
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segunda-feira, 08 de dezembro de 2003
France Presse 
Caracas -O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem que exigirá do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) as listas de pessoas que assinaram a favor de um referendo para tirá-lo do poder porque, insistiu, são produto de uma grande fraude.
''Quero saber quem assinou contra mim'', disse, durante o programa transmitido por uma rede de rádio e televisão, o ''Alô, presidente''.
Chávez baseia-se no artigo 28 da constituição venezuelana que prevê o acesso à informação e dados. ''Em nome de meu povo, tenho o direito de solicitar aos tribunais competentes esta informação que repousa em arquivos privados'', afirmou. A justiça eleitoral não tem a mesma interpretação do artigo.
No sábado, o presidente da Venezuela tinha afirmado que a oposição ''não poderá concretizar'' o que chamou de uma grande fraude com as assinaturas que diz ter arrecadado para convocar o referendo.
''Não poderá romper a resistência do povo e da República'', afirmou o presidente, diante de milhares de simpatizantes que participaram de uma passeata em Caracas para comemorar os cinco anos de sua vitória eleitoral.
Segundo Chávez, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que deverá verificar as assinaturas, ''não vai reconhecer a indignidade e a fraude''.
O presidente apresentou uma lista de pessoas supostamente falecidas e de menores de idade que, segundo ele, foi apresentada pela oposição para engrossar o número de assinaturas para convocar o referendo contra ele. E assegurou que o governo está investigando essas irregularidades.
''Temos uma equipe que revê, em tempo integral, as atas apresentadas'', afirmou Chávez num pronunciamento de rua em Caracas. Chávez acrescentou que essas provas confirmam a existência de ''um terceiro golpe de Estado. Um golpe eleitoral'' que seu governo vai denunciar aos tribunais venezuelanos.
A oposição anunciou ter recolhido 3,6 milhões de assinaturas para solicitar a consulta contra o presidente, nas jornadas realizadas entre 28 de novembro e 11 de dezembro.
Já o governo recolheu assinaturas para pedir referendos contra 37 deputados da oposição, entre os dias 21 e 24 de novembro.
O CNE tem até 30 dias para verificar se são válidas.


