A avalanche popular a favor de Hugo Chávez nas eleições presidenciais de domingo na Venezuela varreu praticamente do mapa político os tradicionais partidos social-democrata e democrata-cristão, que sofreram uma derrota histórica depois de 40 anos no poder.
Segundo os primeiros resultados, o tenente-coronel Chávez, líder da intentona golpista de 4 de fevereiro de 1992, obteve 56,45% dos votos - a segunda maior votação da história do país -, depois de uma campanha de denúncia da ‘‘podridão’’ dos dois partidos: o social-democrata Acción Democrática (AD) e o democrata-cristão Copei.
Dos 39,49% dos votos conquistados pelo conservador Henrique Salas Romer, AD teve 7,5% e pelo Copei, 1,7%, acumulando apenas 483.800 votos, número irrisório para os que contavam com milhões de eleitores.
Os venezuelanos votaram nas eleições presidenciais de acordo com um sistema que lhes permite votar em seu candidato e partido preferidos.
Chávez obteve 41,22% dos votos dos partidários de seu Movimento Quinta República (MVR) e 15,23% dos partidos esquerdistas que o apoiaram, motivo pelo qual sua vitória é claramente mais pessoal que partidária.
Armado com seu populismo nacionalista, Chávez concretizou, assim, o que chamou de morte ‘‘pacto de Ponto Fixo’’, assinado por AD e Copei na queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez em 1958, que lhes garantiu sua permanência no poder.
Neste período, os social-democratas somaram cinco presidências com Rómulo Betancourt, Raúl Leoni, Jaime Lusinchi e dois de Carlos Andrés Pérez, enquanto Copei conquistou duas: as de Rafael Caldera e Luis Herrera Campins.
As eleições de 1993 foram vencidas pelo atual presidente, Rafael Caldera, fundador do Copei, o qual abandonou para conquistar seu segundo mandato com o apoio de seu Movimento Convergência.
No entanto, Chávez terá que negociar com o Congresso eleito em 8 de novembro passado, no qual o AD contará com 62 deputados de um total de 209, enquanto o ‘‘Pólo Patriótico’’, que apóia o presidente eleito, terá 73 vagas.
Segundo o jornal El Universal, a base do AD e do Copei, ‘‘antes que seguir a linha de governadores e cúpulas, passou-se para o ’Chavismo’’’.
Chávez ‘‘encarnou uma liderança nova, uma voz alternativa, uma maior decência na forma de fazer política’’, informou, por sua vez, El Nacional, acrescentando que sua vitória mostra não só ‘‘as grandes esperanças de mudança que germinam em seu âmbito, mas também os impressionantes níveis de frustração que as maiorias desenvolveram contra a antiga liderança’’.
El Nacional deu destaque à ‘‘fissura imensa entre uma democracia falsa que oferecia igualdade de oportunidades, mas que escondia um profundo sentido discriminatório dos setores populares’’ que existia anteriormente e que o presidente eleito soube aproveitar.
Em seguida ao pleito de domingo, o presidente eleito Hugo Chávez afirmou querer contar com uma ‘‘oposição racional’’ e desejou que existam ‘‘partidos políticos legítimos, democráticos’’ sem ‘‘cúpulas corroídas’’ após destacar a ‘‘derrota contundente’’ do AD e do Copei.

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