Caracas, Venezuela - Hugo Chávez foi eleito ontem para mais seis anos na Presidência da Venezuela. Com 78,3% dos votos computados, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o socialista tinha 61%, ou 5,94 milhões de votos, ante 38%, ou 3,7 milhões de votos, de seu maior concorrente, o moderado Manuel Rosales. Estimativas oficiais colocam o comparecimento em 62% - o voto não é obrigatório no país.
Assim que o resultado foi lido, rojões e gritos podiam ser ouvidos pelas ruas de Caracas. ''Viva a Venezuela! Viva Bolívar! Viva a revolução socialista'', disse Chávez da sacada do palácio Miraflores, no centro, depois de cantar, acompanhado por milhares que esperavam o anúncio, sob a chuva fina. ''Aqui está Cristo de braços abertos! É a vitória de Bolívar e do amor!'', declarou. ''Os venezuelanos não votaram em Chávez, mas em um projeto que tem nome, o socialismo bolivariano, o socialismo venezuelano. Que ninguém tenha medo do socialismo.''
O ex-para-quedista Hugo Rafael Chávez Frías, 52 anos, obteve a vitória com programas sociais eficientes e bons índices econômicos (ambos bancados pela alta do petróleo), apesar da recente onda de violência na Venezuela, das denúncias de corrupção no governo e de algumas ações arbitrárias. Agora, promete implantar a segunda etapa de sua ''revolução socialista bolivariana'', que prevê uma revisão constitucional que poderá lhe dar a possibilidade de reeleição sem limites.
Pela manhã, Chávez já falava como presidente reeleito. Disse que membros do governo entraram em contato com a oposição e elogiou ''bons sinais'' vindos dos EUA, com os quais quer ''manter boas relações''.
Teodoro Petkoff, chefe de campanha de Rosales, veio a público dizer que seu candidato só falará ao país ''no momento oportuno, como deve acontecer com um candidato à presidência.'' O governador licenciado do Estado de Zulia teve o mérito de unir uma oposição até então dividida e dar voz a uma classe média e alta que se sente excluída pelo chavismo.
Atrasos - O boletim do CNE com os resultados parciais das eleições foi lido à 22h04 locais de domingo (0h04 de ontem de Brasília), horas após o esperado. O motivo da foi uma série de problemas técnicos, que atrasou a votação, provocou filas e troca de acusações entre Chávez e Rosales.
''Tenho relatos de problemas em 36% dos centros de votação que historicamente votam na oposição e em apenas 5% dos que votam no governo'', disse Rosales, ao votar pela manhã em Maracaibo. ''Não quero pensar que seja manipulação, mas peço ao CNE que verifique e ao eleitor que tenha cuidado.''
Logo depois, ao votar em Caracas, o presidente venezuelano responderia. ''Tudo anda normalmente'', disse. ''Espero que não seja alguém se sentindo derrotado que comece cedo dizendo isso e aquilo''.
''Vi grandes filas, mas não vi nada impróprio'', disse o veterano observador norte-americano Martin Garbus. Havia cerca de 1,2 mil observadores internacionais na Venezuela. ''Vimos paz e tranquilidade'', disse Billy Meyer, representante da União Européia. ''Incidentes são normais em uma eleição desse tamanho.''
Lula - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai receber nesta quinta-feira o líder venezuelano Hugo Chávez. Embora o encontro já tenha sido confirmado pelo Itamaraty, ainda não foram definidos nem o formato, nem o horário.
A reunião deve acontecer em Brasília, mas o local exato também ainda não está fechado - poderá ser ou no Palácio do Planalto ou na própria sede do ministério das Relações Exteriores.

mockup