Chávez conta sua versão e diz que queriam matá-lo
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sábado, 01 de junho de 2002
Agência EFE 
Caracas - Um mês e meio depois de uma sublevação cívico-militar tentar tirá-lo da presidência da Venezuela, Hugo Chávez declara que um grupo de golpistas queria matá-lo para depois consolidar uma nova liderança no país.
Na madrugada de ontem, Chávez reuniu-se com a comissão parlamentar que investiga a rebelião de abril para contar sua versão do golpe, de acordo com ele, a verdade verdadeira.
Queriam me matar, tenho testemunhas disso, disse Chávez aos 16 dos 27 deputados da comissão especial que investiga os acontecimentos que levaram ao golpe do dia 11 de abril, 15 deles chavistas e apenas um de oposição. A reunião parlamentar foi boicotada pela maioria dos legisladores de oposição.
Na reunião, que aconteceu no palácio de Miraflores, Chávez contou que esteve por um triz do mausoléu.
Disse também que durante os acontecimentos do mês de abril, houve um formato de informação criado pelas cadeias de TV privadas que funcionava como uma telenovela, transmitindo uma informação goebbeliana.
Chávez disse que foram criados laboratórios midiáticos para mostrá-lo como um assassino enquanto estava fora do poder, e que as imagens das cadeias de TV privadas eram provavelmente manipuladas como parte de uma macroconspiração contra ele.
Respondendo às perguntas do único representante da oposição, o democrata cristão Juan José Caldera, Chávez disse que atirar contra a polícia em legítima defesa é correto, referindo-se à suposta agressão de agentes da polícia metropolitana contra manifestantes chavistas durante os incidentes do dia 11 de abril.
O presidente venezuelano disse que seria incapaz de ordenar um massacre como o que aconteceu nessa data nas redondezas do palácio presidencial, que matou entre 12 e 23 pessoas, deixando mais de cem feridas.
O governante deixou o palácio de Miraflores na madrugada do dia 12 de abril, quando foi detido pelos rebeldes, para evitar um mar de sangue, e disse que teve que convencer muita gente para não ficar na sede do Executivo e resistir.
Na reunião, Chávez disse que a macroconspiração contra ele começou a ser organizada em dezembro de 1998, quando foi eleito presidente com grande vantagem, mas assegurou que deixa o poder, se em janeiro de 2004, na metade do seu mandato, o povo rejeitá-lo em um referendo.
Chávez foi derrubado por um movimento cívico militar na madrugada de 12 de abril e detido por militares na maior base de Caracas, o Forte Tiuna. O governante retornou ao poder em menos de 48 horas, depois de um contragolpe.
Os acontecimentos de 11 a 14 de abril, investigados por uma comissão especial de 27 deputados, deixaram 57 mortos e centenas de feridos.


